Árvores na vegetação nativa de Nova Petrópolis, Rio Grande do Sul¹ Martin Grings² & Paulo Brack



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IHERINGIA, Sér. Bot., Porto Alegre, v. 64, n. 1, p. 5-22, jan./jun. 2009

Árvores na vegetação nativa de Nova Petrópolis-RS

 

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Árvores na vegetação nativa de Nova Petrópolis, Rio Grande do Sul¹



Martin Grings² & Paulo Brack²

1

 Parte da Monografia de Bacharelado Ambiental, apresentada no Instituto de Biociências,  



Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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 Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Departamento de Botânica. Av. Bento Gonçalves, 9500, Prédio 43433,  



CEP 91501-970, Porto Alegre, RS, Brasil.  martin_grings@yahoo.com.br; pbrack@adufrgs.ufrgs.br

Recebido em 19.IV.2007. Aceito em 20.X.2008

RESUMO – Existem poucos levantamentos florísticos com ênfase em um município, unidade política 

que possui potencial para desenvolver diversas ações de gestão ambiental. O presente trabalho teve 

como objetivo inventariar as espécies arbóreas nativas do município de Nova Petrópolis, descrevendo 

as principais fitofisionomias, subsidiando trabalhos futuros. Encontraram-se 194 espécies de árvores 

pertencentes a 60 famílias, distribuindo-se em seis fitofisionomias: matas de encosta inferior, matas de 

encosta superior, matas com araucária, matas de borda de chapada, matas brejosas e matas ripárias. A 

riqueza de espécies corresponde a 37% das espécies arbóreas encontradas no Estado do Rio Grande do 

Sul. Enfatiza-se a necessidade de proteção destas fitofisionomias e de suas espécies, principalmente as 

matas de borda de chapada, que possuem maior concentração de espécies restritas e ameaçadas, e das 

matas ripárias pela sua importância na proteção das margens de cursos d’água.

Palavras-chave: florística, flora nativa, fitofisionomia, conservação, riqueza arbórea.

ABSTRACT – Trees in the native vegetation of Nova Petrópolis, Rio Grande do Sul. There are 

few floristic surveys with any emphasis in a municipality, which is a political unit with the potential 

to develop several environmental management actions. The purpose of this study was to complete an 

inventory of the native tree species within the municipality of Nova Petrópolis, describing the main 

phytophysiognomies that exist, subsidizing future works. There were 194 tree species belonging to 

60 families found, and these trees were classified into six phytophysiognomies: lower slope forests, 

upper slope forests, Araucaria forests, plateau-edge forests, swamp forests, and riparian forests. Species 

richness corresponds to 37% of the tree species found in the state of Rio Grande do Sul. We emphasize 

the necessity to protect these phytophysiognomies and their species, especially the plateau-edge forests 

which have a higher concentration of  range-restricted and endangered species, and the riparian forests 

due its ecological and socioeconomic values.

Key words: floristics, native flora, phytophysiognomy, conservation, arboreal richness.

INTRODUÇÃO

Nova  Petrópolis,  município  do  Estado  do  Rio 

Grande  do  Sul,  localizado  na  borda  meridional 

do  Planalto  das  Araucárias  (Justus  et  al.,  1986), 

apresenta muitos fragmentos florestais que cobrem 

razoável extensão, encontrando-se em vários estádios 

secundários  de  sucessão,  a  maior  parte  deles  em 

estádios médios de regeneração. Durante a segunda 

metade  do  século  XIX  e  a  primeira  metade  do 

século XX, ocorreu um acentuado desmatamento no 

Rio Grande do Sul, com a chegada e expansão dos 

imigrantes alemães que necessitavam de madeira e área 

para as suas benfeitorias e cultivos (Reitz et al., 1983; 

Klein, 1983a). Nesta época, foram poupadas poucas 

áreas  florestais,  restando  somente  aquelas  que  se 

encontravam em encostas muito íngremes e rochosas, 

inaptas para a agricultura. Nas últimas décadas, houve 

um  êxodo  rural  que  possibilitou  a  regeneração  de 

muitas  áreas  com  florestas. Atualmente,  é  possível 

encontrar  remanescentes  da  cobertura  original,  os 

quais  podem  apresentar  indivíduos  seculares  de 

algumas espécies arbóreas (Klein, 1983a).

Entre os aspectos da biodiversidade que servem 

de parâmetro para verificar a riqueza e a diversidade 

de um determinado local, em especial o município 

como unidade política de gestão ambiental, podem 

ser destacados os inventários de flora e fauna e de 



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GRINGS, M. & BRACK, P.



tipos de vegetação ou ecossistemas existentes. Estes 

inventários da biodiversidade são fontes de conhe- 

cimento  básico  fundamentais  para  qualquer  outro 

tipo  de  aplicação  por  parte  do  poder  municipal.  

Somente  a  partir  do  conhecimento  das  espécies 

nativas locais é que se pode planejar a conservação 

e o uso sustentável dos recursos naturais. Sem isso, 

ficarão prejudicadas, por exemplo, ações relacionadas 

à elaboração de Planos Diretores, planejamento de 

arborização  urbana  e  recuperação  e  restauração  de 

matas ciliares e áreas degradadas. É necessário que se 

conheça também o estado de conservação das espécies 

ameaçadas e dos ambientes que resultem em ações de 

educação ambiental e de gestão urbana e ambiental, 

não dissociadas entre si, o que, infelizmente, não foi 

alcançado na quase totalidade dos municípios.   

Até o presente, inexistem publicações sobre flora 

e vegetação para o município de Nova Petrópolis e são 

poucos os estudos florísticos nos municípios vizinhos. 

A quase totalidade dos estudos botânicos realizados 

na região se restringe a levantamentos qualitativos 

ou quali-quantitativos, em pequenas áreas de floresta, 

não havendo uma análise geral dos tipos fisionômi- 

cos  da  vegetação  regional.  Se  forem  considerados 

levantamentos do componente arbóreo, num raio de 

50 km de Nova Petrópolis, podemos identificar seis 

trabalhos.  Inicialmente,  Quintas  et  al.  (1973),  em 

levantamento  botânico  realizado  no  município  de 

Canela, registraram 86 espécies arbóreas, destacando 

a importância da família Myrtaceae em uma floresta 

com araucária. Neto et al. (2002) estudaram a com- 

posição florística e estrutura de 0,8 ha de uma floresta 

na região da Floresta Ombrófila Mista, na localidade 

de Criúva, município de Caxias do Sul, ao norte de 

Nova Petrópolis, tendo sido encontradas 37 espécies 

arbóreas. Molz (2004) estudou a estrutura e a com- 

posição  florística  do  componente  arbóreo  de  um 

fragmento de cerca de 15 ha de Floresta Estacional 

Semidecidual,  no  município  de Araricá,  sendo  en- 

contradas 122 espécies. Daniel (1991) realizou um 

estudo  fitossociológico  dos  componentes  arbóreo 

e  arbustivo  em  três  áreas  de  Floresta  Estacional 

Semidecidual Aluvial da Bacia Hidrográfica do rio 

dos Sinos. Pedralli & Irgang (1982 e 1984) estudaram 

a  composição  florística  das  formações  vegetais  da 

borda da Serra Geral (Floresta Estacional Decidual). 

Existem  outros  trabalhos  realizados  em  municí- 

pios em uma distância maior, entre 50 km e 80 km, 

assinalando-se Mattos et al. (1986), Narvaes et al. 

(2005),  Nascimento  et  al.  (2001)  e  Vaccaro  et  al. 

(1999). 

O presente trabalho teve como objetivo conhecer 

a composição florística do componente arbóreo das 

florestas de Nova Petrópolis, como uma das etapas 

fundamentais  de  diagnóstico  ambiental,  dentro  de 

uma  concepção  da  importância  da  biodiversidade, 

caracterizando  as  fitofisionomias  arbóreas  e  as  es- 

pécies quanto as suas categorias ecológicas e con- 

tingentes fitogeográficos, contribuindo para o melhor 

conhecimento da flora e da vegetação do município 

e região. Além disso, objetiva-se propor alguns parâ- 

metros  para  a  conservação  das  árvores  e  das  fito- 

fisionomias que ocorrem no município.

MATERIAL E MÉTODOS



Área de estudo

Nova Petrópolis é um município que possui uma 

área de 294 km², inserido totalmente na Bacia Hidro- 

gráfica do rio Caí, (51°5’ W e 29°22’ S) (Fig. 1). As 

altitudes variam de 32 m, localidade do Tirol (várzea 

do  rio  Caí),  a  842 m,  localidade  do  Chapadão.  A 

província geológica em que se encontra o município 

é a Província do Paraná, estando inserida na área do 

Grupo  São  Bento. A  geologia  de  Nova  Petrópolis 

é  caracterizada  por  rochas  efusivas  do  Jurássico-

Cretáceo,  pertencentes  à  Formação  Serra  Geral  e 

pelos arenitos triássicos da Formação Botucatu, esta 

nos vales mais profundos (Horbach et al., 1986). O 

relevo é caracterizado por vales profundos e escarpas 

longas,  destacando-se  a  presença  de  chapadas  e 

tabuleiros  provenientes  da  erosão  do  planalto.  O 

entendimento deste padrão geomorfológico é básico 

para a compreensão das formações fitofisionômicas do 

município. O relevo local da Serra Geral é descrito por 

Rambo (1956), que chama a atenção para a existência 

de diferentes “degraus” ou patamares e encostas. No 

município de Nova Petrópolis podem ser identificados 

dois destes degraus, o segundo e o terceiro, tomando-

se por base a Depressão Central. O segundo degrau é 

o platô entre a segunda e a terceira encostas da serra. 

O terceiro degrau é o topo das chapadas e tabuleiros, 

remanescentes da erosão do planalto da Serra Geral. 

A  segunda  encosta  é  mais  extensa  que  a  terceira, 

e  se  inicia  no  fundo  dos  vales.  Uma  classificação 

geomorfológica mais abrangente, segundo Justus et al. 

(1986), apresenta para a área de estudo três unidades 

geomorfológicas: o Planalto dos Campos Gerais, a 

Serra Geral e os Patamares da Serra Geral, que fazem 

parte  da  Região  Geomorfológica  do  Planalto  das 

Araucárias, pertencente ao domínio morfoestrutural 

das Bacias e Coberturas Sedimentares. 



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Segundo  dados  da  Estação  Meteorológica  de 



Caxias do Sul (Embrapa, 1992), a temperatura média 

anual  é  de  16,3ºC.  A  média  do  mês  mais  quente 

(fevereiro) é de 20,7ºC. A média do mês mais frio 

(junho)  é  de  12,1ºC. A  precipitação  média  anual  é 

de 1915 mm, com médias mensais sempre acima de 

100 mm. Durante o inverno, é abundante a formação 

de nevoeiros e comum a ocorrência de ondas de frio, 

sendo  freqüente  a  formação  de  geadas.  De  acordo 

com a classificação de Köppen, as partes mais altas 

de  Nova  Petrópolis  correspondem  ao  tipo  Cfb,  e 

as  partes  mais  baixas,  correspondem  ao  clima  Cfa 

(Moreno, 1961).

Os  tipos  de  solos  do  município  de  Nova  Pe- 

trópolis são classificados como: 1) associação entre 

Neossolos  Litólicos  Eutróficos  e  Chernossolos 

Argilúvicos  férricos,  nas  encostas  inferiores  de 

relevo mais acentuado; 2) Neossolos Litólicos Dis- 

tróficos, que ocorrem nas encostas superiores, asso- 

ciados  a  Cambissolos  Húmicos  alumínicos  e  a  

Alissolos  Hipocrômicos  órticos;  3)  Chernossolos 

Háplicos  órticos,  nas  várzeas  do  rio  Caí  (Streck  

et al., 2002). 

Quanto à vegetação, a área de estudo caracteriza-

se pelo contato entre a Floresta Estacional Decidual, 

com seu limite leste na bacia do rio Caí, e a Floresta 

Ombrófila Mista. Levando em conta as subdivisões, 

Nova Petrópolis se encontra na região das seguintes 

formações:  Floresta  Estacional  Decidual  Aluvial, 

Floresta Estacional Decidual Submontana, Floresta 

Estacional  Decidual  Montana,  Floresta  Ombrófila 

Mista Montana (Teixeira et al., 1986). 



Método de amostragem e análise

O levantamento de campo foi realizado de junho 

de 2002 até outubro de 2006, com excursões mensais 

que totalizaram cerca de 50 visitas a diferentes áreas 

com vegetação florestal dentro dos limites do muni- 

cípio,  correspondendo  a  pelo  menos  25  pontos  de 

amostragem,  cobrindo-se  as  diferentes  estações  do 

ano, além de outras áreas as quais não foram com- 

pletamente  percorridas.  Foi  efetuado  um  levanta- 

mento expedito, através do método do caminhamento 

(Filgueiras  et  al.,  1994),  amostrando-se  a  vegeta- 

ção  florestal,  nos  mais  diferentes  pontos,  que  con- 

templassem  variações  de  altitude,  relevo  e  solo. 

No  estudo  das  fitofisionomias,  tomou-se  por  base 

os  remanescentes  florestais  em  melhor  estado  de 

conservação, com os seguintes critérios: altura, sub-

bosque sem alteração, presença de espécies raras e 

de  categorias  secundárias  tardias,  considerando-se 



Fig. 1. Mapa de localização do município de Nova Petrópolis, 

mostrando os municípios limítrofes e os 25 pontos de amostragem 

(quadrados brancos).


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a  difícil  interpretação  da  vegetação  com  base  na 

observação  e  caminhamento,  pois  uma  série  de 

alterações  já  ocorreu  nas  florestas  do  município, 

após  148  anos  de  colonização.  Para  a  delimitação 

das fitofisionomias foram levados em consideração 

a altitude, o relevo, a fisionomia e os conjuntos de 

espécies exclusivas ou dominantes de determinados 

ambientes. Realizou-se uma caracterização expedita, 

principalmente em pontos extremos do relevo e solo 

como, por exemplo, os fundos de vale, os topos de 

morros e os inícios de encostas. 

Foram  coletadas  amostras  de  árvores  nativas 

e palmeiras, com DAP (diâmetro à altura do peito) 

a partir de cinco centímetros e com altura superior 

a  quatro  metros,  incluindo  fetos  arborescentes. As 

exsicatas foram incluídas no Herbário ICN – Instituto 

de  Ciências  Naturais  da  UFRGS  –  Universidade 

Federal do Rio Grande do Sul. A inclusão das espécies 

nas famílias botânicas seguiu o sistema APG II (2003), 

tendo sido adotada a nomenclatura mais atualizada 

das  espécies,  de  acordo  com  Sobral  et  al.  (2006). 

Quanto às espécies ameaçadas, levou-se em conta, 

principalmente, o Decreto Estadual 42099/2002 (Rio 

Grande do Sul, 2003) que estabelece as espécies da 

flora ameaçada do Rio Grande do Sul.  

Cada espécie foi classificada, também, segundo 

o seu contingente fitogeográfico e grupos ecológicos 

(categoria sucessional e estratégia de dispersão). Para  

a definição do contingente fitogeográfico de cada espé- 

cie, foi consultada bibliografia (Rambo, 1950; Rambo, 

1961;  Klein,  1983a;  Jarenkow,  1994;  Jarenkow  & 

Waechter, 2001; Brack, 2002; Lindenmaier & Budke, 

2006; Sobral et al., 2006), a qual foi confrontada com 

conhecimentos de campo dos autores deste trabalho. 

As espécies sem registro exclusivo para determinado 

contingente  fitogeográfico  foram  consideradas  de 

ampla distribuição. Quanto às categorias sucessionais, 

as espécies foram separadas em três categorias: pio- 

neiras, secundárias iniciais e secundárias tardias (englo- 

bando nesta última categoria as consideradas por alguns 

autores  como  climácicas),  adotando-se  as  classifi-

cações  da  bibliografia  (Tabarelli,  1992;  Jarenkow, 

1994; Lindenmaier & Budke, 2006), com eventuais 

ajustes  relacionados  ao  conhecimento  de  campo 

dos autores. Para as estratégias de dispersão, segundo 

observações próprias dos autores, classificaram-se as 

espécies em zoocóricas, anemocóricas, autocóricas e 

hidrocóricas. Os nomes comuns foram consultados em 

bibliografia (Schultz, 1975; Backes & Nardino, 2001), 

sendo  observados  também  aqueles  (em  português) 

utilizados  por  parte  da  população  rural  de  Nova 

Petrópolis, como forma de ilustrar e auxiliar também 

às pessoas não familiarizadas com a taxonomia.

RESULTADOS 



Flora 

Foram encontradas 194 espécies pertencentes a 60 

famílias, sendo as mais ricas em número de espécies, 

respectivamente, Myrtaceae (25 spp.), Fabaceae (19 

spp.), Lauraceae (12 spp.), Euphorbiaceae (10 spp.) 

(Fig. 2).



Fig. 2. Histograma das famílias com maior número de espécies arbóreas em Nova Petrópolis.

0

10



20

30

40



50

60

70



80

M

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ae



Fa

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ce



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La

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Famílias

Número de Espécies

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Quanto ao contingente fitogeográfico das árvo- 



res  ocorrentes  no  município  (Fig.  3),  destacam-se 

aquelas  de  ampla  distribuição,  com  104  espécies, 

significando  51%  da  flora  arbórea  do  municí- 

pio.  Como  exemplo  Cupania  vernalis,  Casearia 



decandra, Zanthoxylum rhoifolium, Phytolacca dioica, 

Myrcianthes gigantea, Campomanesia xanthocarpa, 

Cabralea  canjerana,  entre  outras.  Em  segundo  lu- 

gar, destacam-se as árvores provenientes da Floresta 

Ombrófila Mista, com 37 espécies, o que corresponde 

a 19% do número total de árvores encontradas em 

Nova  Petrópolis,  por  exemplo:  Vernonia  discolor

Piptocarpha angustifoliaRhamnus sphaerosperma, 

Laplacea  acutifolia,  Lamanonia  ternata,  Solanum 

compressum, entre outras.  As espécies provenientes 

da Floresta Estacional Decidual correspondem a 16% 

do total de árvores do município, com 31 espécies 

pertencendo a este contingente fitogeográfico. Como 

exemplo, temos Tabebuia heptaphylla, Enterolobium 

contortisiliquum, Apuleia leiocarpa, Albizia edwalli, 

Ocotea diospyrifolia, Cordia americana, Ruprechtia 

laxiflora, entre outras.

Apesar do município fazer parte do contato entre 

a Floresta Ombrófila Mista e a Floresta Estacional 

Decidual,  sua  flora  possui  também  influência  da 

Floresta Ombrófila Densa na sua composição florística, 

com 27 espécies muito características desta formação 

como: Neomitranthes gemballae, Ficus adhatodifolia, 

F.  cestrifolia,  Calyptranthes  grandifolia,  Ocotea 

silvestris, Meliosma sellowii, Faramea montevidensis, 

Bactris setosa, Inga sessilis, Pachystroma longifolium, 

entre  outras,  correspondendo  a  14%  das  espécies 

arbóreas do município.

Quanto às estratégias de dispersão das espécies 

inventariadas,  70%  possuem  zoocoria,  20%  ane- 

mocoria,  8%  autocoria  e  1%  hidrocoria.  Não  foi 

possível o enquadramento na síndrome de dispersão 

de Machaonia brasiliensis Brunfelsia pilosa, o que 

representa 1% (Fig. 4). Destacamos outros estudos 

que analisaram as estratégias de dispersão de árvores 

no Rio Grande do Sul. Um deles foi realizado por 

Rossoni  (2003)  na  região  da  Floresta  Ombrófila 

Densa, onde predominou a zoocoria com 78% das 

espécies, seguida pela autocoria (14%) e anemocoria 

(8%).  Em  outro  estudo  realizado  em  uma  área  de 

Floresta Estacional Decidual no município de Santa 

Maria,  Budke  et  al.  (2005)  encontraram  72%  de 

espécies zoocóricas, 22% de anemocóricas e 4% de 

autocóricas. Lindemaier & Budke (2006), encontraram 

74% de espécies zoocóricas, 12% de anemocóricas e 

1% de autocóricas, em área de Floresta Estacional 

Decidual  na  bacia  do  rio  Jacuí.  Isto  mostra  uma 

semelhança entre diferentes florestas do Rio Grande 

do Sul, que possuem a zoocoria como síndrome de 

dispersão dominante, confirmando a importância dos 

fatores bióticos na dispersão das florestas tropicais e 

subtropicais (Tabarelli, 1992).

Em relação às categorias sucessionais, 52% das 

árvores são enquadradas como secundárias iniciais, 

37% como secundárias tardias e 11% como pioneiras 

(Fig. 5).

Fig.  5.  Categoria  sucessional  das  espécies  arbóreas  de  Nova 

Petrópolis. (pio = pioneira; sin = secundária inicial; sta = secundá- 

ria-tardia)

Fig. 3. Contingentes fitogeográficos das espécies arbóreas de Nova 

Petrópolis.  (FOM=  Floresta  Ombrófila  Mista;  FED=  Floresta 

Estacional Decidual; FOD= Floresta Ombrófila Densa).

Fig. 4. Síndromes de dispersão das espécies arbóreas de Nova 

Petrópolis.

 

 

 



IHERINGIA, Sér. Bot., Porto Alegre, v. 64, n. 1, p. 5-22, jan./jun. 2009

10 


GRINGS, M. & BRACK, P.

Fitofisionomias 

Com  base  nos  aspectos  de  relevo  e  diferenças 

marcantes na fisionomia e na composição florística, 

foram  definidos  seis  fitofisionomias  predominantes 

para o município: Matas de encosta inferior, Matas de 

encosta superior, Matas com araucária, Matas de borda 

de chapadas, Matas ripárias e Matas brejosas (Fig. 6). 

A seguir são caracterizadas estas fitofisionomias. As 

espécies  que  ocorrem  em  cada  uma  das  diferentes 

formações estão discriminadas no Quadro 1. 



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