Floristic and phytosociologic characterization of a floodplain forest, at araucaria, pr



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Ciência Florestal, Santa Maria, v. 14, n. 2, p. 37-50 

   37 


ISSN 0103-9954 

CARACTERIZAÇÃO FLORÍSTICA E FITOSSOCIOLÓGICA DE UM TRECHO 

SAZONALMENTE INUNDÁVEL DE FLORESTA ALUVIAL, EM ARAUCÁRIA, PR 

FLORISTIC AND PHYTOSOCIOLOGIC CHARACTERIZATION OF A FLOODPLAIN FOREST, AT 

ARAUCARIA, PR 

Murilo Lacerda Barddal

1

    Carlos Vellozo Roderjan



2

    Franklin Galvão

3

    Gustavo Ribas Curcio





RESUMO 

Foi estudado o componente arbustivo-arbóreo de uma floresta sazonalmente inundável, localizada na 

planície aluvial do rio Barigüi, em Araucária-PR. Limitou-se a área investigada aos locais de mesmo tipo de 

solo (Gleissolos) e mediu-se a profundidade do lençol freático no centro de 20 parcelas de 100 m

2



correlacionando tais fatores físicos com os parâmetros fitossociológicos obtidos. Avaliaram-se todos os 



indivíduos com perímetro à altura do peito (PAP) igual ou supeior a 15 cm, encontrando-se 29 espécies, 

sendo Sebastiania commersoniana (Baillon) L.B. Smith e R.J. Downs (branquilho) a mais importante delas, 

seguida por Allophylus edulis (A.St.-Hil., Cambess. e A. -Juss.) Radlk. (vacum). Em resposta à severidade do 

ambiente, constatou-se o pequeno porte dos indivíduos que formam a comunidade, além da grande 

incidência de exemplares com vários troncos e a destacada importância das árvores mortas. Da interação com 

o meio físico, notou-se que os locais menos saturados hidricamente possibilitaram maior crescimento 

diamétrico da comunidade e que a maior parte das espécies de baixos valores fitossociológicos 

estabeleceram-se apenas nas micro-elevações do terreno, de melhor aeração.  



Palavras-chave: floresta inundável; composição florística e estrutura. 

ABSTRACT 

The shrub-arboreal component of a floodplain forest, located in the alluvial plain of the Barigui 

River in Araucaria-PR was studied. The researched area was limited to places of same soil type (Glei soil) 

and the level of the water table was measured in a central point of the 20 plots of 100 m

2

, correlating this  



physiographic feature with the obtained phytosociologic parameters. The individuals with minimal perimeter 

of breast height (PBH) of 15 cm were valued, resulting in 29 species found. The most important was 



Sebastiania commersoniana (Baillon) L.B. Smith and R.J. Downs (branquilho), followed by Allophylus 

edulis (A.St.-Hil., Cambess. e A.-Juss.) Radlk. (vacum). The small sise of the individuals, the large number 

of individuals with multiple boles and the expressive importance of dead trees were atributed to enviromental 

stress. Less flooded places provided better diametric development and only at the micro-topographic 

elevations most species of lower phytosociologic values were established.  



Key words: floodplain forest; floristic composition and structure. 

INTRODUÇÃO 

Parte importante dos rios do Primeiro Planalto paranaense é drenada pela bacia hidrográfica do rio 

Iguaçu, desenvolvendo-se às suas margens e na de seus afluentes as principais cidades dessa região, inclusive 

Curitiba, a capital do estado. Em função do crescimento urbano, essas áreas sofreram intensa modificação, 

quando alguns cursos de água foram simplesmente retificados ou mesmo canalizados. Com esse modelo de 

desenvolvimento regional, grande parte das várzeas e das florestas da planície inundável do rio Barigüi, 

afluente do Iguaçu, deram lugar a áreas urbanas e industriais que, não raras vezes, são “invadidas” pelas 

águas do rio, causando inúmeros problemas sócio-econômicos. 

____________________________  

1.  Engenheiro Florestal, MSc., Doutorando em Engenharia Florestal pela Universidade Federal do Paraná, CEP 

80210-170, Curitiba (PR). mbarddal@floresta.ufpr.br 

2.  Engenheiro Florestal, Dr., Professor Adjunto do Departamento de Ciências Florestais, Universidade Federal do 

Paraná, CEP 80210-170, Curitiba (PR). roderjan@floresta.ufpr.br 

3.  Engenheiro Florestal, Dr., Professor Adjunto do Departamento de Ciências Florestais, Universidade Federal do 

Paraná, CEP 80210-170, Curitiba (PR). fgalvao@floresta.ufpr.br 

4.  Engenheiro Agrônomo, MSc., Doutorando em Engenharia Florestal pela Universidade Federal do Paraná, 

Pesquisador da Embrapa Florestas, CEP 83405-970, Colombo (PR). curcio@cnpf.embrapa.br 

Recebido para publicação em 18/11/2002 e aceito em 18/11/2003.

 


38 Barddal, 

M.L. 


et al. 

 

Nos últimos anos, todavia, a necessidade de preservação e recuperação dessas áreas se faz premente. 



Contudo, a enorme carência de informações a respeito das interações ecológicas que as envolvem dificultam 

ações seguras nesse sentido. 

Alguns estudos que abordaram esse bioma (Galvão et al., 1989; Ziller, 1993; Bufren, 1997; Oliveira, 

2001 e Souza, 2001), mesmo tendo importância inconteste, não trataram do tema com maior profundidade, 

por isso a importância de outros trabalhos que os complementem. 

Assim, propôs-se estudar a composição florística e a estrutura fitossociológica da comunidade 

arbustivo-arbórea, popularmente conhecida como branquilhal, em área de influência do rio Barigüi, na 

Região Metropolitana de Curitiba. E como a vegetação dessas áreas possui estreita relação com o 

componente hidro-geomorfológico, principal responsável pela sua diversidade (Gurnel, 1997), procurou-se 

também correlacionar os parâmetros fitossociológicos com os fatores pedológicos e com a variação do lençol 

freático, subordinados pelas condições de relevo local. 

MATERIAL E MÉTODO 

Área de estudos 

Localizada no município de Araucária, porção centro-sul do Primeiro Planalto paranaense, a área em 

questão situa-se entre as coordenadas aproximadas de 25° 35’ 12’’ S e 49° 20’ 45” W (Figura 1). O acesso 

principal, a partir de Curitiba, é feito pela BR 476, poucos quilômetros antes do centro urbano de Araucária. 

Está estabelecida em uma planície inundável, onde predominam solos naturalmente hidromórficos, sendo 

comuns os Gleissolos, associados, de forma geral, a Organossolos e Neossolos Flúvicos, entre outras 

variações (Resck e Silva, 1998). Os Gleissolos são os mais importantes para este estudo, sendo de origem 

alúvio-coluvionar, formados por sedimentos de fina granulometria. Possuem, normalmente, grande 

quantidade de argila e sua consistência é muito dura quando secos e muito plástica e pegajosa quando 

molhados, sendo pouco porosos e de baixa condutividade hídrica. Assim, estão permanente ou 

periodicamente saturados por água (mal ou muito mal drenados) em condições naturais (EMBRAPA, 1999; 

Rauen et al., 1990).  

 

FIGURA 1: Localização da área de estudos. 



FIGURE 1: Localization of the studied area. 

O clima é o Cfb (Koeppen), com chuvas bem distribuídas anualmente (1300-1500 mm/ano) e 

inverno rigoroso. A temperatura média anual do mês mais quente é inferior a 22 °C e a do mês mais frio 

inferior a 18°C. 

O principal corpo d’água no local é o rio Barigüi, o qual, neste trecho, teve seu curso alterado já em 

meados da década de 1960, por ação do Departamento Nacional de Obras  de Saneamento, visando propiciar  

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Ciência Florestal, v. 14, n. 2, 2004

 


 

 Caracterização florística e fitossociológica de um trecho sazonalmente inundável … 

39 

maior vazão e minimizar o efeito das enchentes (DNOS, 1979). Ainda, cortando a área de estudo em direção 



ao Barigüi, encontra-se o arroio Saldanha, pequeno tributário com pouco mais de 2,2 km de extensão em 

linha reta (desconsiderando os meandros) (Figura 2). 

Quanto à vegetação arbórea nas proximidades do rio Barigüi, enquadrada pelo IBGE (1992) como 

Floresta Ombrófila Mista Aluvial, encontra-se em bom estado de conservação, preservando, em grande parte, 

as suas características originais.

 

Contudo, é possível que, mesmo sem aparente interferência humana, tenha 



tido sua estrutura alterada após a modificação do curso e do leito do rio Barigüi e, conseqüentemente, das 

características hídricas locais. O dique marginal ao rio sofreu alteração de sua configuração natural, tendo 

seu porte aumentado por ocasião destas atividades, razão pela qual, neste trabalho, ele foi evitado. 

Parcelas


#

1

#



2

#

3



#

4

#



5

#

6



#

7

#



8

#

9



#

10

#



11

#

12



#

15

#



16

#

17



#

18

#



13

#

14



#

19

#



20

N

E



W

S

Dreno



 Artific

ial


R

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 B



a

rig


ü

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io S

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nha

87

0



1:6000

50

0



50

100 Metros

665600

665600


665800

665800


666000

666000


71

688


00

716


880

0

716



90

00

716



90

00

ESCALA



NORTE

LEGENDA


LOCALIZAÇÃO DAS 

PARCELAS E ALTIMETRIA

 DA ÁREA DE ESTUDO

 

FIGURA 2: Mapa plani-altimétrico da área de estudo e disposição das parcelas em campo. 



FIGURE 2: Topographyc map of the studied area showing the plots distribution. 

Procedimento metodológico 

Avaliação fitossociológica 

Como as planícies inundáveis são áreas consideradas muito variáveis topográfica e pedologicamente, 

mesmo a pequenas distâncias, devido à dinâmica de deposição dos sedimentos que as conformam, 

ocasionando diferenças de distribuição e desenvolvimento de espécies e comunidades vegetais (Vivian-

Smith, 1997; Almquist, 1999; Ab`Saber, 2000), procurou-se homogeneizar, da melhor maneira possível, a 

comunidade florestal estudada. Para tanto, as amostras foram alocadas em posições específicas, previamente 

observadas, sobre mesma classe pedológica, neste caso, ordem dos Gleissolos. 

O estudo fitossociológico seguiu a metodologia proposta por Mueller-Dombois e Ellemberg (1974), 

e, para tanto, foram instaladas em campo 20 (vinte) parcelas de 10 x 10 m (100 m²), onde foram avaliados 

todos os indivíduos arbóreos e arbustivos com perímetro à altura do peito (PAP) igual ou superior a 15 cm 

(4,8 cm de diâmetro). 

Em fichas específicas de campo, anotaram-se a espécie botânica, a altura total estimada e do ponto 

de inversão morfológica (ramificação do fuste) e a posição sociológica, verificando a qual estrato pertence 

cada indivíduo (Galvão, 1994). Para o caso de exemplares com vários troncos, foram considerados aqueles 

em que ao menos uma das ramificações tivesse mais de 15 cm de PAP, medindo-se, então, todo o conjunto. 

As árvores mortas em pé, por dividirem o espaço com as demais, foram consideradas e agrupadas na classe 

“mortas”. 

Os dados   obtidos  em   campo  foram ordenados e processados no programa FITOPAC I (Shepherd,  

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Ciência Florestal, v. 14, n. 2, 2004

 


40 Barddal, 

M.L. 


et al. 

 

1988), resultando nos descritores fitossociológicos de densidade, freqüência, dominância e valor de 



importância (Daubenmire, 1968; Mueller-Dombois e Ellenberg, 1974), além dos índices de diversidade de 

Shannon (H’) e Simpson (D) na base logarítmica natural e a eqüabilidade correspondente (E) (Magurran, 

1989).  

O material botânico de cada espécie foi coletado, preparado de acordo com IBGE (1992), depositado 

e registrado (quando fértil) no herbário do Curso de Engenharia Florestal da Universidade Federal do Paraná 

(EFC). Sua determinação foi feita por meio de comparação com exsicatas do EFC e mediante consulta aos 

especialistas Sandro Menezes Silva, do Departamento de Botânica da UFPR, e Marcos Sobral, do 

Departamento de Farmácia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 



Caracterização pedológica 

Para a caracterização pedológica, foram efetuadas tradagem e coleta dos horizontes A e C do solo no 

centro de todas as parcelas (20 pontos de amostra), ao mesmo tempo em que era feita sua descrição 

morfológica. As amostras foram enviadas ao laboratório de Solos e Nutrição Florestal da Embrapa Florestas, 

onde, seguindo as normas da própria EMBRAPA (1979), foram feitas as análises químicas e 

granulométricas. A partir desses resultados, foi realizada a classificação dos solos segundo os critérios do 

Sistema Brasileiro de Classificação dos Solos (EMBRAPA, 1999). 

Avaliação do lençol freático 

Próximo ao centro de cada parcela, foi instalado um piezômetro com 1,20 m de profundidade a fim 

de avaliar a variação do nível do lençol freático. A verificação da profundidade da água subterrânea era feita 

diretamente através de uma régua graduada, medindo-se desde a superfície do solo até a lâmina d’ água. Esse 

procedimento foi realizado no período de agosto a novembro de 2001, em intervalos de aproximadamente 

sete dias. 



Análises estatísticas 

Para as análises estatísticas, utilizou-se o programa Statistica for Windows Release 5.1, sendo que as 

parcelas foram agrupadas segundo seu distanciamento geográfico. As variáveis fitossociológicas envolvidas 

nestes cálculos foram altura média (h), diâmetro médio (d), número de espécies (n° spp), densidade absoluta 

(DA) e dominância absoluta (DoA). 

RESULTADOS E DISCUSSÃO 

Flutuação do lençol freático 

Embora tenham sido efetuados apenas quatro meses de medições, pôde-se estimar um valor médio da 

flutuação do lençol freático para as 20 parcelas, conforme pode ser visto na Figura 3. Os meses avaliados 

correspondem a um período intermediário de chuvas para a Região Metropolitana de Curitiba, pois, de 

acordo com as análises pluviométricas de Danni-Oliveira (1997), essas médias estariam mais baixas, se 

medidas entre abril e agosto, e mais altas de dezembro a março. 

Um primeiro grupo de parcelas (1-7), por estar mais próximo do curso do rio, o qual proporciona um 

rebaixamento do lençol freático, e por estar ligeiramente mais elevado que os demais grupos, por influência 

do dique marginal, teve as maiores profundidades. Nota-se, contudo, que esse conjunto é o que possui 

maiores variações internas, tendo maior diferença entre as parcelas 3 (86,4 cm) e 6 (38 cm). Tal diferença 

não ocorre por acaso, já que por terem uma distribuição transversal na planície, as parcelas 4, 5 e 6 ficaram 

mais afastadas do rio Barigüi, em locais pouco mais baixos, nas proximidades da bacia de inundação. 

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 Caracterização florística e fitossociológica de um trecho sazonalmente inundável … 

41 

86,4


53,08

21,55


34,23

53,83


46,86

36,94


31,40

37,73


23,85

18,90


35,15

23,18


25,43

74,98


38,00

40,75


43,95

74,00


75,05

0

20



40

60

80



100

120


1

2

3



4

5

6



7

8

9



10

11

12



13

14

15



16

17

18



19

20

Parcelas



Pr

of

undi



dad

e (


cm

)

 



FIGURA 3: Amplitude e valor médio da profundidade do lençol freático no interior das parcelas, calculada 

através das observações semanais realizadas durante 4 meses. 

FIGURE 3:  Amplitude and average value of the water table depth, calculated by weekly observations, 

during 4 months. 

Um segundo grupo (8-13) está mais próximo da bacia de inundação e, em função disso, o lençol 

freático permanece a pequena profundidade. Não ocorreu variação importante entre as parcelas, sendo a 

maior entre 11 (18,90 cm) e 13 (37,73 cm). 

Com relação aos anteriores, um terceiro grupo de parcelas (14-20) continua afastado do rio Barigüi, 

enquanto a água subterrânea se mantém em profundidades intermediárias, variando de acordo com as 

diferenças microtopográficas, entre 21,55 cm (parcela 19) e 53,83 cm (parcela 17). 



Solos 

A área de estudo abrangeu unicamente os solos hidromórficos minerais da ordem dos Gleissolos 

(Tabela 1), sendo que 11 parcelas estavam inseridas na categoria dos Háplicos, de cor mais clara 

(normalmente 10YR 4/2), e 9 delas na dos Melânicos, mais escurecidos (10 YR 3/2). Todos apresentaram 

alto valor de T, ou seja, alta atividade (capacidade de troca de cátions) da fração argila, representada por Ta. 

O caráter Distrófico (baixa saturação por bases) foi encontrado apenas no grupo 1 (exceto na parcela 

5), sendo todo o restante Eutrófico (alta saturação por bases), inclusive com algumas parcelas (11 e 13) com 

horizonte A chernozêmico, cuja saturação por bases exigida deve ser superior a 65%. 

Foram identificadas texturas médias (parcelas 1, 10 e 16), argilosas (2-9, 11,12,17,18 e 20) e muito 

argilosas (13-15 e 19), demonstrando a volubilidade do ambiente pedológico nessas áreas. A variabilidade na 

distribuição das frações granulométricas ao longo e entre os pedons caracteriza a dinâmica de distribuição 

dos sedimentos na planície, confirmando Oliveira et al. (1992). 

Em média, a quantidade de argila nos ambientes mais interiorizados (grupos 2 e 3) é maior do que 

aquele localizado próximo do rio (bloco 1), sendo esse último mais siltoso, distribuição em conformidade 

com as descrições de Christofoletti (1981) e Suguio e Bigarella (1990). Em compensação, a porcentagem de 

areia entre os grupos 1 e 3 é muito parecida e bem maior do que a do grupo intermediário. Para o primeiro, já 

era de se esperar, em função de sua proximidade junto ao dique marginal, no qual fica retida a areia provinda 

do Barigüi. Contudo, o grupo 3 também foi mais arenoso, provavelmente, por influência do cone de dejeção 

do arroio Saldanha. 

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42 Barddal, 

M.L. 


et al. 

 

TABELA 1: Classificação dos solos encontrados ao longo das parcelas demarcadas no levantamento da 



floresta aluvial do rio Barigüi. 

TABLE 1: Soil classification alongside of the floodplain forest of the Barigui River. 

Parcelas Classificação 

GLEISSOLO HÁPLICO Ta Distrófico típico, A moderado, textura média, relevo plano 



GLEISSOLO HÁPLICO Ta Distrófico típico, A moderado, textura argilosa, relevo plano 

GLEISSOLO HÁPLICO Ta Distrófico típico, A moderado, textura argilosa, relevo plano 



GLEISSOLO HÁPLICO Ta Distrófico típico, A moderado, textura argilosa, relevo plano 

GLEISSOLO MELÂNICO Eutrófico típico, A proeminente, textura argilosa, relevo plano 



GLEISSOLO MELÂNICO Distrófico típico, A proeminente, textura argilosa, relevo plano 

GLEISSOLO HÁPLICO Ta Distrófico típico, A moderado, textura argilosa, relevo plano 



GLEISSOLO MELÂNICO Eutrófico típico, A prominente, textura argilosa, relevo plano 

GLEISSOLO MELÂNICO Eutrófico típico, A prominente, textura argilosa, relevo plano 



10 

GLEISSOLO MELÂNICO Eutrófico típico, A prominente, textura média, relevo plano 

11 

GLEISSOLO MELÂNICO Eutrófico típico, A chernozêmico, textura argilosa, relevo plano 



12 

GLEISSOLO HÁPLICO Ta Eutrófico típico, A moderado, textura argilosa, relevo plano 

13 

GLEISSOLO MELÂNICO Eutrófico típico, A chernozêmico, textura muito argilosa, relevo plano 



14 

GLEISSOLO HÁPLICO Ta Eutrófico típico, A moderado, textura muito argilosa, relevo plano 

15 

GLEISSOLO HÁPLICO Ta Eutrófico típico, A moderado, textura muito argilosa, relevo plano 



16 

GLEISSOLO HÁPLICO Ta Eutrófico típico, A moderado, textura média, relevo plano 

17 

GLEISSOLO HÁPLICO Ta Eutrófico típico, A moderado, textura argilosa, relevo plano 



18 

GLEISSOLO HÁPLICO Ta Eutrófico típico, A moderado, textura argilosa, relevo plano 

19 

GLEISSOLO MELÂNICO Eutrófico típico, A proeminente, textura muito argilosa, relevo plano 



20 

GLEISSOLO MELÂNICO Eutrófico típico, A proeminente, textura argilosa, relevo plano 

Os Gleissolos encontrados estão sob regime de hidromorfia imperfeitamente drenados a muito mal 

drenados, revelados pelos mosqueados freqüentes contidos nos horizontes Cg e pela profundidade do lençol 

freático. Observou-se uma associação quase perfeita entre os Gleissolos Melânicos e as áreas de maior 

saturação hídrica e dos Háplicos com as menos saturadas, percebendo-se a interdependência entre esses 

fatores. 

Foram identificadas também variações dos teores de matéria orgânica (MO), as quais se justificam 

pelas alterações microtopográficas da superfície (rugosidade da superfície), pois, nas porções mais elevadas e 

também nas planas, ocorre uma lavagem da serapilheira que se acumula somente nos abaciados, alterando 

esses valores. Sobre isso, Vivian-Smith (1997) destacou que as diferenças de microrrelevo alterariam não só 

a acumulação da serapilheira, mas também a mudança do potencial de redução (redox) e de níveis de 

compactação do solo. 

Fitossociologia geral da área 

Composição florística e estimativa dos parâmetros fitossociológicos 

Para os 2000 m

2

 estudados, foram encontradas 29 espécies botânicas, pertencentes a 27 gêneros e 16 



famílias (Tabela 2) que, somadas às árvores mortas e em pé, resultaram em 537 indivíduos avaliados.  

As famílias de maior expressão foram Euphorbiaceae e Myrtaceae. A primeira, contando com apenas 

duas espécies, atingiu o maior valor de importância (VI – 148,13), mantendo-se bem à frente da outra que 

obteve VI de 38,05, mas que, todavia, concentrou o maior número de espécies (9), 28,99% do total. Em 

trabalhos realizados em florestas inundáveis no estado de São Paulo (Ivanauskas et al., 1997 e Toniato et al.

1998), mesmo que inseridos em outra unidade fitogeográfica (Floresta Estacional Semidecidual), estas 

famílias também ocuparam posição de destaque. 

Logo depois, seguiram Anacardiaceae (VI – 24,67), Sapindaceae (23,95), Rubiaceae (8,39), 

Rhamnaceae (7,26, sendo uma de suas duas espécies, exótica) e Fabaceae (7,09), enquanto as outras nove 

famílias ficaram com VI abaixo de 3,70. 

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Ciência Florestal, v. 14, n. 2, 2004

 


 

 Caracterização florística e fitossociológica de um trecho sazonalmente inundável … 

43 

TABELA 2: Composição florística da floresta aluvial do rio Barigüi. 



TABLE 2: Floristic composition of floodplain forest of the Barigui River. 

N. Família 

Espécie/Autor 

Nome 


Popular Hábito 



- Lithraea brasiliensis March. 

bugreiro AR 

Anacardiaceae 



- Schinus terebinthifolius Raddi 

aroeira AR 

3 Arecaceae 

- Syagrus romanzoffiana (Cham.) Glassman 

jerivá AR 



- Sebastiania brasiliensis Spreng. 

leiteiro AB/Ar 

Euphorbiaceae 



- Sebastiania commersoniana (Baillon) L.B. Smith e R.J. Downs branquilho AR 



- Dalbergia frutescens (Vell.) Britton 

rabo-de-bugiu Ar/AR 

Fabaceae 



- Machaerium paraguariense Hassl. 

sapuva AR 



- Casearia decandra Jacq. 

guaçatunga AB/Ar 

Flacourtiaceae 



- Xylosma pseudosalzmannii Sleumer 

sucará AB/Ar 

10 Meliaceae 

- Trichilia elegans  A. - Juss. 

catiguá Ar 

11 Mimosaceae  - Inga marginata Willd. 

ingá AR 


12 

- Blepharocalyx salicifolius (Kunth) O. Berg 

murta AR 

13 

- Calyptranthes concinna DC. 

guamirim-de-facho AB/Ar 

14 

- Campomanesia xanthocarpa O. Berg 

guabiroba AR 

15 

- Eugenia uniflora L. 

pitanga AB/Ar 

16 

- Eugenia uruguayensis Cambess. 

batinga-vermelha AR 

17 

- Myrceugenia glaucescens (Cambess.) D. Legrand et Kausel. 

guamirim AR/Ar 

18 

- Myrcianthes gigantea (D. Legrand) D. Legrand 

araçá-do-mato AR 

19 

- Myrciaria tenella (DC.) O. Berg 

cambuí AB/Ar 

20 

Myrtaceae 



- Myrrhinium atropurpureum Schott 

murtilho Ar 

21 Oleaceae 

- Ligustrum vulgare L. 

alfeneiro* AR 

22 

- Hovenia dulcis Thunb. 

uva-do-japão* AR 

23 

Rhamnaceae 



- Scutia buxifolia Reissek 

coronilha Ar/AR 

24 Rosaceae 

- Prunus  cf. sellowii Koehne 

pessegueiro-bravo AR 

25 Rubiaceae 

- Guettarda uruguensis Cham. et Schltdl. 

veludo AB 

26 Sapindaceae  - Allophylus edulis (A.St.-Hil., Cambess. e A. -Juss.) Radlk. 

vacum AR 

27 Simaroubaceae - Picramnia parvifolia Engl. 

cedrinho Ar 

28 Tiliaceae 

- Luehea divaricata Mart. et Zucc.  

açoita-cavalo AR 

29 Verbenaceae  - Vitex megapotamica (Spreng.) Moldenke 

tarumã AR 

Em que: AR = Arbóreo; Ar = Arbóreo (arvoreta); AB = arbustivo; * = Espécie exótica invasora. 

Dentre as espécies, a euforbiácea Sebastiania commersoniana (branquilho) apresentou ampla 

hegemonia, obtendo os maiores valores para os três parâmetros fitossociológicos, com densidade de 1630 

ind./ha, dominância de 30,86 m²/ha e 100% de freqüência, o que lhe rendeu um valor de importância (VI) de 

144,60, mais de seis vezes superior ao da segunda colocada (Tabela 3). Por ter tamanha influência, é que ela 

imprime sua coloração na paisagem, deixando-a verde-acinzentada no outono e inverno, em função de sua 

decidualidade foliar, verde-clara durante a primavera e verde-escura no verão. 

A seguir, aparece Allophylus edulis (vacum), árvore comum da Floresta com Araucária, diferenciada 

das demais por ser uma das únicas desse bioma com folhas compostas trifolioladas de margem serreada. 

Mesmo muito abaixo de S. commersoniana, ela tem posição significativa em função da sua densidade (195 

ind./ha) e por estar presente em 15 das 20 parcelas, atingindo VI de 21,80. 

Logo após, com 18,49 de valor de importância, surge Schinus terebinthifolius (aroeira), normalmente 

representada por árvores de grande porte e coberta por epífitas, que se sobressaem em dominância (3,31 

m²/ha) e freqüência (55% das parcelas). 

Daí para frente, o parâmetro que mais influencia na importância das espécies é a freqüência. No caso 

de  Myrceugenia glaucescens (guamirim), mirtácea de notáveis dimensões, cujas folhas são nitidamente 

discolores, a densidade é o segundo parâmetro de maior contribuição. Acontece da mesma maneira com 

Myrrhinium atropurpureum (murtilho), árvore esguia, paucifoliada, de casca finamente fissurada e flores 

muito chamativas e Guettarda uruguensis (veludo), arbusto escandente de folhas opostas muito pilosas, com  

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Ciência Florestal, v. 14, n. 2, 2004

 


44 Barddal, 

M.L. 


et al. 

 

múltiplos troncos providos de antigos ramos pontiagudos, parecidos com espinhos. Contudo, para 



Blepharocalyx salicifolius (murta), a dominância passa a ter o papel coadjuvante, com moderada 

contribuição, refletindo o grande porte apresentado por esta mirtácea, que chama a atenção pelo seu tronco 

cilíndrico e reto e casca tipicamente fissurada. 

TABELA 3: Estimativa dos parâmetros fitossociológicos das espécies arbóreo-arbustivas da floresta aluvial 

do rio Barigüi. 

TABLE 3: Phytosociologic parameters estimate to shrub-arboreal species of the Barigui river’s floodplain 

forest. 

  

  



Densidade 

Dominância 

Freqüência 

  

Espécies N 



DA 

DR 


DoA 

DoR 


FA 

FR 


VI 

  

  



(n/ha) 

(%)  (m


2

/ha)


(%) (%)  (%) 

 

 



Sebastiania commersoniana 

326 1630 60,3 30,864 70,59  100  13,77  144,6 



Allophylus edulis 

39 195 7,22 

1,856 4,24  75  10,34 21,8 

Schinus terebinthifolius 

18 90 3,33 

3,314 

7,58 55  7,59 18,49 



Myrceugenia glaucescens 

23 115 4,25 

1,553 3,55  55  7,59 15,39 

Myrrhinium atropurpureum 

26 130 4,81 

0,750 1,72  60  8,28  14,8 

Blepharocalyx salicifolius 

9 45 


1,66 

1,364 


3,12 30 4,14 8,92 

Guettarda uruguensis 

11 55 2,03 

0,228 

0,52 35  4,83 7,38 



Lithraea brasiliensis 

6 30 


1,11 

0,430 


0,98 25 3,45 5,54 

Machaerium paraguariense 

10 50 1,85 

0,285 

0,65 20  2,76 5,26 



Scutia buxifolia 

5 25 


0,92 

0,106 


0,24 20 2,76 3,93 

Campomanesia xanthocarpa 

3 15 


0,55 

0,378 


0,86 15 2,07 3,49 

Luehea divaricata 

2 10 


0,37 

0,707 


1,62 10 1,38 3,37 

Picramnia parvifolia 

3 15 


0,55 

0,045 


0,1 15 2,07 2,73 

Hovenia dulcis 

3 15 


0,55 

0,235 


0,54 10 1,38 2,47 

Ligustrum vulgare 

2 10 


0,37 

0,143 


0,33 10 1,38 2,08 

Sebastiania brasiliensis 

3 15 


0,55 

0,030 


0,07 10 1,38 2,00 

Myrciaria tenella 

2 10 


0,37 

0,074 


0,17 10 1,38 1,92 

Syagrus romanzoffiana 

2 10 


0,37 

0,030 


0,07 10 1,38 1,82 

Casearia decandra 

2 10 


0,37 

0,026 


0,06 10 1,38 1,81 

Dalbergia frutescens 

2 10 


0,37 

0,023 


0,05 10 1,38 1,8 

Eugenia uniflora 

2 10 


0,37 

0,022 


0,05 10 1,38 1,8 

Myrcianthes gigantea 

1 5 


0,18 

0,050 


0,11 5 0,69 

0,99 


Inga marginata 

1 5 


0,18 

0,048 


0,11 5 0,69 

0,99 


Prunus sellowii 

1 5 


0,18 

0,021 


0,05 5 0,69 

0,92 


Vitex megapotamica 

1 5 


0,18 

0,018 


0,04 5 0,69 

0,92 


Eugenia uruguayensis 

1 5 


0,18 

0,017 


0,04 5 0,69 

0,91 


Calyptranthes concinna 

1 5 


0,18 

0,013 


0,03 5 0,69 0,9 

Trichilia elegans 

1 5 


0,18 

0,009 


0,02 5 0,69 0,9 

Xylosma pseudosalzmannii 

1 5 


0,18 

0,009 


0,02 5 0,69 0,9 

Subtotais 507 

2535 

93,71 42,648 



97,53 

635 


87,59 

278,8 


Mortas 30 

150 


5,55 

1,032 


2,36 

75 


10,34 

18,25 


Totais 541 

2705 


100 

43,73 


100 

725 


100 

300 


Em que: N = número de indivíduos; DA = densidade absoluta; DR = densidade relativa; D

o

A = dominância absoluta; 



D

o

R = dominância relativa; FA = freqüência absoluta; FR = freqüência relativa; VI = valor de importância. 



É interessante ressaltar que somente as sete espécies citadas perfazem 83,55% do total de indivíduos 

da comunidade avaliada. Ao considerar também as árvores mortas, de posição destacada (VI – 18,25), à 

frente até de Myrceugenia glaucescens, em função, sobretudo, da sua assiduidade nas parcelas (75% de 

freqüência), chega-se a 89,09%.  

Nota-se,  ainda, a  entrada  de  duas  espécies  exóticas  na  comunidade: Hovenia dulcis e Ligustrum  

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Ciência Florestal, v. 14, n. 2, 2004

 


 

 Caracterização florística e fitossociológica de um trecho sazonalmente inundável … 

45 

vulgare já ocupam posições intermediárias de importância, refletindo uma significativa mudança que vem 

ocorrendo no ambiente, causada pela forte pressão antrópica, sobretudo pelo rebaixamento do lençol freático 

resultante da “regularização” do rio Barigüi e da abertura de inúmeros drenos. 

Com relação aos índices de diversidade, foram encontrados 1,595 para o índice de Shannon (H’), 

0,427 para o de Simpson (C) e 0,474 para a equabilidade. Esses números indicam uma baixa diversidade para 

a comunidade, explicada muito mais pela segmentação do ambiente aluvial, restrito a uma pequena faixa de 

hidromorfia, do que propriamente pela pobreza de espécies encontradas na planície. Tanto assim, que os 

valores para o índice de Shannon de florestas homólogas do interior paulista,

 

calculados com mesma base 



logarítmica e sob mesmo critério de inclusão (perímetro mínimo de 15 cm), onde não houve esse tipo de 

preocupação, são sempre superiores a 2,5 (Costa et al., 1997). 



Distribuição horizontal e vertical dos indivíduos 

Quanto à análise da distribuição vertical, foram definidas três posições sociológicas diferenciadas 

(Figura 4). 

O estrato superior, evidenciado principalmente entre 11 e 13 metros de altura, é formado 

majoritariamente (75,8%) por S. commersoniana, estando representados 43,2% dos indivíduos e 48,27% das 

espécies, sendo exclusiva Luehea divaricata (açoita-cavalo).  

O estrato intermediário esteve limitado, em sua maior parte, entre 7 e 11 metros de altura, e agrupou 

44,4% dos indivíduos e 82,76% das espécies, sendo também S. commersoniana a mais comum (60%).  

Esse estrato marca bem a divisão de ocorrência entre algumas espécies, pois, abaixo dele, não se 

encontram  S. terebinthifolius (aroeira), Lithraea brasiliensis (bugreiro) e Campomanesia xanthocarpa 

(guabiroba) e, do contrário, acima dele, não chegam Picramnia parvifoliaCasearia decandra (guaçatunga), 

Dalbergia frutescens (rabo-de-bugiu), Eugenia uniflora (pitanga), Calyptranthes concinna (guamirim-de-

facho), Trichilia elegans (catiguá) e Xylosma pseudosalzmannii (sucará). 

inf.

inter.


sup.

3 a 


4

4.

1 a 



5

5.

1 a 



6

6.

1 a 



7

7.

1 a 



8

8.

1 a 



9

9.

1 a 



10

10.


1 a 

11

11.



1 a 

12

12.



1 a 

13

13.



1 a 

14

14.



1 a 

15

15.



1 a 

16

16.



1 a 

17

17.



1 a 

18

 



FIGURA 4: Distribuição em classes de altura (m) e estratificação da floresta aluvial do rio Barigüi (■ =  

valores acima da média). 

FIGURE 4: Classes of height and strata of the Barigüi River’s floodplain forest (■ = above average values). 

Por último, ficou definido um estrato inferior concentrado entre 5 e 6 metros que, apesar de ter 

apenas 12,4% dos indivíduos, quando reunido aos exemplares de diâmetros inferiores a 15 cm, torna-se 

fisionômica e estruturalmente significativo. Mesmo contando com poucos representantes, concentrou 

48,27% das espécies, das quais, mais uma vez, S. commersoniana é a mais destacada, com 38,10% do total. 

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Ciência Florestal, v. 14, n. 2, 2004

 


46 Barddal, 

M.L. 


et al. 

 

Destes resultados, pode-se notar que os indivíduos encontrados nesta condição possuem alturas bem 



mais baixas do que aqueles observados nas áreas melhor drenadas dos interflúvios, onde predominam as 

florestas com araucária, que podem atingir entre 25 e 38 m de altura (Leite e Klein, 1990; Pizatto, 1999). 

Talvez isso aconteça pela impossibilidade do aprofundamento das raízes, pela maior luminosidade (ambiente 

é mais aberto) e pela menor competição entre espécies nos ambientes hidromórficos. Observou-se, ainda, que 

as alturas dos estratos variam com as condições de saturação hídrica do solo, tendo médias mais altas em 

locais de melhor aeração e mais baixas nos mais influenciados pela água. 

Analisou-se também, a distribuição por classes de área transversal “g” (m²), uma vez que quase um 

terço (31,36%) dos indivíduos vivos estudados tinham mais de um tronco e 44,83% das espécies 

apresentaram no mínimo um representante com essa característica, inviabilizando a análise diamétrica 

diretamente. 

Assim, notou-se acentuada concentração de indivíduos nas menores classes de área transversal 

(Figura 5), sendo de 70,22% os seus exemplares entre 0,0018 e 0,0113 m

2

, equivalentes a 4,8 e 12 cm de 



diâmetro, sendo, por outro lado, de apenas 7,5% os que alcançaram áreas transversais maiores do que 

0,0529m², que corresponderiam a 26 cm de diâmetro. Entre as árvores de maiores dimensões estão 



Blepharocalyx salicifolius,  Luehea divaricata,  Schinus terebinthifolius (maior área transversal entre as 

árvores de tronco único – 0,0998 m², ou seja, 35,7 cm de diâmetro) e S. commersoniana, com 0,1585 m², de 

um exemplar de quatro troncos, que teria um diâmetro equivalente a 44,9 cm. 

0

40



80

120


160

200


0,0018 0,0057 0,0113 0,0189 0,0282 0,0397 0,0529 0,0684 0,0856 0,1047

4,8


8,5

12

15,5



19

22,5


26

29,5


33

36,5


g (m²)

d (cm


)

N

 ind.



 

Limite inferior de classes 

FIGURA 5: Distribuição dos indivíduos por área transversal e diâmetros equivalentes para a floresta aluvial 

do rio Barigüi. 

FIGURE 5: Individual distribution by transversal area and equivalent diameters to the floodplain forest of the 

Barigui River. 

Novamente, se comparadas às florestas com araucária dos interflúvios (Pizatto, 1999; Durigan, 

1999), nota-se que essas comunidades aluviais são formadas por indivíduos de pequenos diâmetros, os quais 

talvez não tenham maior incremento devido à vida mais curta das principais espécies. 

O perfil esquemático (Figura 6) permite melhor visualização do ambiente, pois mostra a estrutura da 

floresta, além da profundidade média dos horizontes do solo e do lençol freático. 

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Ciência Florestal, v. 14, n. 2, 2004

 


 

 Caracterização florística e fitossociológica de um trecho sazonalmente inundável … 

47 

 

Legenda: 



1-  Eugenia uruguayensis 

6-  Vitex megapotamica 

11- Calyptranthes concinna 

2-  Sebastiania commersoniana 

7-  Dalbergia frutescens 

12- Guettarda uruguensis 

3-  Myrciaria tenella 

8-  Allophylus edulis 

13- Scutia buxifolia 

4-  Blepharocalyx salicifolius  

9-   Schinus terebinthifolius 

m- Morta 

5-  Campomanesia xanthocarpa 

10- Machaerium paraguariense  LF- Lençol frático 

A, AC, Cg1, Cg2: horizontes dos solo           

FIGURA 6: Perfil esquemático representativo da floresta aluvial do rio Barigüi e dos horizontes do solo, 

Araucária, PR. 

FIGURE 6: Esquematic profile of the floodplain forest of the Barigui River and of the soil horizons, 

Araucaria, PR. 

Correlação entre os fatores físicos e a vegetação 

Demonstrando a heterogeneidade do ambiente estudado para os agrupamentos de parcelas pouco 

distanciados, localizados sobre mesma ordem de solos, foram encontradas variações estatisticamente 

significativas entre os parâmetros fitossociológicos utilizados na análise de variância. Vale ressaltar que os 

parâmetros que não apresentaram variâncias homogêneas não foram submetidos à análise de variância, uma 

vez que as condicionantes para a utilização da mesma não foram atendidas.  

Utilizando-se as variáveis de todas as espécies, encontrou-se expressiva variação para a dominância. 

Pela comparação de Tukey, o conjunto 1, de maior dominância (DoA), foi separado apenas do conjunto 3 

(Tabela 4). 

TABELA 4: Teste de comparação de médias (Tukey) para os parâmetros fitossociológicos significativa-

mente diferentes da floresta aluvial do rio Barigüi. 

TABLE 4: Comparison of means test (Tukey) of phytosociologic parameters with significant differences for 

the Barigui River’s floodplain forest. 

Conjuntos 

Dados de Todas  

Dados do branquilho  

     de 

Espécies 



Sebastiania commersoniana 

Parcelas DoA 

DA 

DoA 


dm 

1 (parc. 1-7) 

51,54 a 

1542,9 ab 

38,37 a 

16,61 a 


2 (parc. 8-13) 

43,63 ab 

2066,7 a 

28,06 b 


11,80 b 

3 (parc. 14-20) 

34,26 b 

1342,9 b 

25,77 b 

14,36 ab 

Em que: Médias seguidas pela mesma letra não diferem significativamente pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade; 

DoA = dominância absoluta, DA = densidade absoluta; dm = diâmetro médio. 

 

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Ciência Florestal, v. 14, n. 2, 2004

 


48 Barddal, 

M.L. 


et al. 

 

Ao usar somente os dados de Sebastiania commersoniana, espécie mais importante e representativa 



da comunidade, a análise de variância revelou diferenças significativas para densidade (DA), dominância 

(DoA) e diâmetro médio (dm). 

A comparação de médias (Tabela 4) detectou, reforçando a tendência demonstrada para os dados de 

todas as espécies, que o conjunto 1 foi significativamente maior em dominância que os outros dois blocos, 

além de demonstrar que o diâmetro foi significativamente maior para o bloco 1 em relação ao bloco 2. 

Comprovou-se, ainda, que o conjunto 2, de menor dominância e diâmetros, teve a maior densidade, 

expressivamente mais alta do que a do terceiro conjunto. 

Esses dados são muito interessantes, pois parecem revelar que uma maior profundidade do lençol 

permitiria um melhor desenvolvimento diamétrico da comunidade e também qual o comportamento do 

branquilho no intuito de dominar este ambiente. A partir das evidências, pode-se inferir que, para uma 

hidromorfia acentuada, caso do conjunto 2, essa espécie alcança o maior valor de importância da comunidade 

graças a sua grande quantidade ou densidade de indivíduos. Quando a presença do lençol de água passa a ser 

em maior profundidade, o branquilho se mantém com os maiores parâmetros fitossociológicos devido ao seu 

maior desenvolvimento diamétrico, que compensa a redução do seu número de indivíduos. 

Além disso, observou-se que a rugosidade da superfície do terreno, sobretudo no conjunto 2 de 

parcelas, gera pequenas bacias de inundação, as quais, além do acúmulo da serapilheira, promovem uma 

maior estagnação de água em superfície, em que se estabelece maior número de espécies de gramíneas e 

herbáceas, sendo raras as árvores. As microelevações do terreno, que na área foram da ordem de 15 a 30 cm 

acima das pequenas bacias de inundação, proporcionam uma condição diferenciada de oxigenação, 

facilitando o estabelecimento das espécies arbóreas. 

Desse modo é que as espécies tolerantes à hidromorfia, mas de adaptação mais limitada, conseguem 

competir com as demais. É o caso da maioria das espécies de baixos valores fitossociológicos (Tabela 3), 

como  Lithraea brasiliensis, Luehea divaricata, Inga marginata, Prunus sellowii, Vitex megapotamica e 

Xylosma pseudosalzmanii, muitas delas representadas por apenas um indivíduo e todas com pequena 

distribuição pela paisagem. 



CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 

Mesmo para um ambiente segmentado da planície do rio Barigüi, abrangendo somente sua porção 

central, entre o dique marginal e a planície de inundação, os pontos proximamente localizados, sobre igual 

ordem de solo, tiveram diferenças significativas na estrutura e na composição da floresta. As variações 

encontradas se devem principalmente ao regime de hidromorfia e à rugosidade da superfície (diferenças de 

microrelevo), associados às características específicas que impõem ao solo.  

Como resposta à segmentação do ambiente estudado e aos fatores limitantes locais, foram 

encontradas apenas 29 espécies na composição da comunidade, destacando-se o grande número de árvores 

mortas e de indivíduos com múltiplos troncos. 

A principal espécie analisada foi Sebastiania commersoniana, que, nos locais de maior saturação 

hídrica, apresenta grande número de indivíduos de diâmetros pequenos e, nos sítios menos influenciados pela 

água, tem sua densidade reduzida, compensando esta perda com uma maior expansão diamétrica, permitindo-

lhe a posição de espécie mais importante em ambas as condições. 

Despontando como emergentes na floresta, foram evidenciadas principalmente: Blepharocalyx 



salicifoliusLithraea brasiliensisLuehea divaricata e a exótica Hovenia dulcis (uva-do-japão). 

Como sugestões para o melhor entendimento do desenvolvimento da floresta nestas áreas tão 

complexas, pode-se citar a padronização metodológica de estudo e a adoção de conceitos geo-pedológicos na 

segmentação do ambiente fluvial, antecedendo a instalação das áreas amostradas. 

Ainda, propõe-se que a medição do lençol freático tenha duração mínima de um ano, resultando em 

mais ampla caracterização de sua variação. 

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Ciência Florestal, v. 14, n. 2, 2004

 


 

 Caracterização florística e fitossociológica de um trecho sazonalmente inundável … 

49 

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