Rodriguésia 62(3): 499-514. 2011



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Rodriguésia 

62(3): 499-514. 2011

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Flora da Usina São José, Igarassu, Pernambuco: Myrtaceae

Flora da Usina São José, Igarassu, Pernambuco: Myrtaceae

Flora da Usina São José, Igarassu, Pernambuco: Myrtaceae

Flora da Usina São José, Igarassu, Pernambuco: Myrtaceae

Flora da Usina São José, Igarassu, Pernambuco: Myrtaceae

Flora of Usina São José, Igarassu, Pernambuco: Myrtaceae

Bruno Sampaio Amorim

1,2 

& Marccus Alves



1

Resumo


Myrtaceae é representada no Brasil por 928 espécies e tem a Floresta Atlântica como um de seus centros de

diversidade, apresentando 636 espécies, das quais 77,5% são endêmicas. Neste estudo foram tratadas as 23

espécies da família encontradas em fragmentos de Floresta Atlântica de Terras Baixas na Usina São José ao

norte do estado de Pernambuco. Eugenia é o gênero mais representativo com dez espécies (E. candolleana,

E. dichroma, E. excelsa, E. florida, E. hirta, E. aff. prasina, E. punicifolia, E. umbelliflora, E. umbrosa, E.

uniflora), seguido de Myrcia com oito espécies (M. bergiana, M. guianensis, M. racemosa, M. spectabilis, M.

splendens, M. sylvatica, M. tomentosa, M. verrucosa), Psidium com duas espécies (P. guajava e P. guineense)

e Calyptranthes, Campomanesia, e Myrciaria com uma espécie cada (Calyptranthes dardanoi; Campomanesia

dichotoma; M. ferruginea). São apresentados chave de identificação e comentários sobre as espécies, além de

ilustrações dos caracteres diagnósticos.

Palavras chave: taxonomia, florística, terras baixas, Neotrópicos, Brasil.

Abstract


Myrtaceae comprises 928 species in Brazil. The Atlantic Rain Forest is a center of diversity of the family with

636 species and 77,5% of them are endemic. This study presents 23 species of Myrtaceae which were found

at Usina São José in fragments of Lowland Atlantic Rain Forest of northern Pernambuco. Eugenia is the

richest genus with ten species (E. candolleana, E. dichroma, E. excelsa, E. florida, E. hirta, E. aff. prasina E.

punicifolia, E. umbeliflora, E, umbrosa, and E. uniflora), followed by Myrcia with eigth species (M. bergiana,

M. guianensis, M. racemosa, M. spectabilis, M. splendens, M. sylvatica, M. tomentosa, and M. verrucosa);

Psidium with two species (P. guajava and P. guineense) and Calyptranthes, Campomanesia and Myrciaria

with one specie each (Calyptranthes dardanoi, Campomanesia dichotoma, and M. ferruginea). Identification

keys, descriptions, comments and illustrations of the species are presented.

Key words: taxonomy, floristics, endemic, Neotropics, Brazil.

1

 Universidade Federal de Pernambuco, Depto.  Botânica, Av. Prof. Moraes Rego 1235, Cidade Universitária, 50670-901, Recife, PE, Brasil.



Autor para correspondência: brunosarim@yahoo.com.br

Introdução

Myrtaceae apresenta distribuição pantropical,

onde Austrália, sudeste asiático e América tropical

são centros de diversidade, e compreende 133 gêneros

e próximo de 3800 espécies (Wilson et al. 2001), dos

quais 30 gêneros e cerca de 2300 espécies (Govaerts



et al.

 2010) pretencem à tribo Myrteae (sensu McVaugh

1968). No Brasil, Myrtaceae é representada por 927

espécies, sendo 707 endêmicas do país (Sobral et al.

2010). O domínio da Floresta Atlântica é um dos

centros de diversidade da família, a qual é a sexta mais

representativa (Stehmann et al. 2009) com 636 espécies,

sendo 77,5% endêmicas (Sobral et al. 2009).

Os gêneros mais representativos são Eugenia

Myrcia, apresentando de 600 e 350 (sensu

Stehmann et al. 2009) a 1070 e 394 (sensu Govaerts

et al.

 2010) espécies respectivamente, das quais

241 e 132 espécies ocorrem no domínio Atlântico

(Stehmann et al. 2009).

Para o Brasil, existem 55 espécies nas listas

vermelhas da Biodiversitas, IUCN e MMA (Sobral



et al.

 2009) sendo a exploração madeireira o principal

fator de risco para seu desaparecimento. Apesar dos

diversos estudos taxonômicos disponíveis, a maioria

deles está concentrada nas Regiões Sudeste (Arantes

& Monteiro 2002; Souza et al. 2007; Souza & Morim

2008) e Sul (Legrand & Klein 1967-1978; Sobral 2003;


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Amorim, B.S

 

& Alves, M.



Romagnolo & Souza 2006). No Nordeste os estudos

taxonômicos ainda são escassos (Barros 2005; Silva

2009; Lourenço 2010). Neste estudo foram tratadas

23 espécies da família encontradas em fragmentos

de Floresta Atlântica de Terras Baixas na Usina

São José ao norte do estado de Pernambuco.

Material e Métodos

A Usina São José (USJ) localiza-se na Zona da

Mata Norte, a 28 km de Recife, no município de

Igarassu – Pernambuco (7º40’21,25”–7º55’50,92”S e

34º54’14,25”–35º05’21,08”W) (Trindade et al. 2008).

Possui uma área total de 280 km

2

 e cerca de 100



fragmentos florestais com diferentes áreas e formatos.

Para a classificação dos habitats nos fragmentos

estudados, foi adotado Silva et al. (2008). As coletas

foram realizadas durante o período de 2008–2011 e

concentraram-se em seis fragmentos selecionados

com área entre 30–400 m

2

. As amostras botânicas



foram submetidas às técnicas usuais em taxonomia

vegetal (Mori et al. 1985) e depositadas no herbário

UFP, com duplicatas distribuídas aos herbários MO,

NY, RB e SP. Adicionalmente, foram incluídas

informações obtidas a partir das coleções depositadas

nos herbários ALCB, ASE, HST, HUEFS, IPA, JPB,

MAC, MO, NY, PEUFR, PH, RB, SP, SPF, UFRN e

UFP (acrônimos segundo Thiers 2010).

As identificações foram realizadas com o

auxílio de bibliografia especializada (McVaugh 1969;

Landrum 1986; Sobral 1993; Soares-Silva 2000) e

por comparação com amostras previamente

identificadas por especialistas, incluindo tipos. A

caracterização das inflorescências, tipologia dos

frutos e morfologia foliar seguiram McVaugh (1956),

Spjut (1994) e Hickey (1973), respectivamente.

A estrutura dos resultados abaixo

apresentados segue as monografias previamente

publicadas para a área de estudo (Alves-Araújo

& Alves 2010; Melo et al. 2010; Pontes & Alves

2010; Buril & Alves 2011).

Resultados e Discussão

Na USJ, Myrtaceae está entre as famílias com

maior diversidade taxonômica, com 23 espécies

(Alves-Araújo et al. 2008). Destas, Eugenia é o

gênero mais representativo, com dez espécies,

seguido de Myrcia com oito, Psidium com duas e

Calyptranthes

Campomanesia e Myrciaria com

uma espécie cada. A família é composta por

espécies endêmicas da Floresta Atlântica (próximo

de 50%) e espécies que apresentam ampla

distribuição na América do Sul. Eugenia e Myrcia

apresentam o maior número de espécies endêmicas

(quatro espécies cada), seguido de Calyptranthes,



Campomanesia

 e Myrciaria com uma espécie cada.



Myrcia verrucosa

, considerada até então restrita

para o estado do Espírito Santo (Sobral 2006; Sobral

et al.

 2010) é registrada pela primeira vez para a

Floresta Atlântica nordestina.

Tratamento taxonômico



Myrtaceae 

Juss.


Árvores, arvoretas ou arbustos; ramos jovens

pilosos, tronco em geral com córtex esfoliante.

Folhas opostas, simples, broquidódromas,

pontuações translúcidas presentes; estípulas

ausentes. Inflorescência tipo panícula, racemo,

dicásio ou flores solitárias; flores bissexuadas,

actinomorfas, diclamídeas, cálice 4–5-lobado ou

caliptriforme, corola 4–5-mera; hipanto prolongado

ou não acima do ovário; androceu polistêmone;

estigma capitado; ovário ínfero. Frutos baga.

Semente 1 a numerosas, coloração uniforme ou

maculada, lisa ou muricada.



Chave para identificação das espécies de Myrtaceae na USJ

1.

Inflorescência tipo panícula



2.

Folhas com venação primária sulcada adaxialmente

3.

Folhas ovadas, pecíolo ca. 1 mm compr.; lobos do cálice com ápice rotundo; frutos elipsoides



............................................................................................................... 18. Myrcia sylvatica

3’. Folhas elípticas a obovadas, pecíolo >3mm compr.; lobos do cálice com ápice agudo ou cálice

caliptriforme com opérculo apiculado; frutos globoides a subgloboides.

4.

Folhas 4–8 cm compr.



5.

Cálice com lobos de comprimento desigual, 4 maiores com 2 mm compr., 1 menor com

1mm compr., ápice agudo; frutos lisos; semente de coloração uniforme .................

............................................................................................. 19. Myrcia tomentosa



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Myrtaceae da Usina São José, PE



5’. Cálice com lobos de comprimento igual, ápice falciforme; frutos verrucosos; semente

maculada ....................................................................................... 20. Myrcia verrucosa

4’. Folhas 11–15 cm compr.

6.

Cálice caliptriforme, calíptra apiculada; disco estaminal glabro; estilete glabro .............



............................................................................................  1. Calyptranthes dardanoi

6’. Cálice não caliptriforme, lobos imbricados, ápice rotundo; disco estaminal piloso; estilete

com base pilosa ............................................................................16. Myrcia spectabilis

2’. Folhas com venação primária plana a saliente adaxialmente.

7.

Tricomas ferrugíneos ............................................................................. 13. Myrcia bergiana



7’. Tricomas não ferrugíneos.

8.

Cálice com lobos de comprimento desigual, 3 maiores com 2 mm compr., 2 menores com 1



mm compr.; ovário 3–locular .........................................................14. Myrcia guianensis

8’. Cálice com lobos de comprimento igual; ovário 2–locular.

9.

Lobos do cálice com ápice rotundo; disco estaminal piloso; estilete com base pilosa;



frutos elipsoides .................................................................... 17. Myrcia splendens

9’. Lobos do cálice com ápice agudo; disco estaminal glabro; estilete glabro; frutos

globoides................................................................................15. Myrcia racemosa

1’. Inflorescência tipo racemo (eixo primário desenvolvido ou reduzido), dicásio ou flor solitária.

10. Inflorescência com eixo primário desenvolvido ou reduzido.

11. Inflorescência com eixo primário desenvolvido, < 1 cm compr.

12. Eixo primário da inflorescência de 1,5–2,5 cm compr.; bractéolas lanceoladas; disco

estaminal piloso; estilete com base pilosa ................................ 3. Eugenia candolleana

12’. Eixo primário da inflorescência de 2,6–4,5cm compr.; bractéolas rotundas; disco estaminal

glabro; estilete glabro ......................................................................... 6. Eugenia florida

11’. Inflorescência com eixo primário reduzido, > 0,1 cm compr.

13. Hipanto prolongado acima do ovário; frutos com lobos do cálice decíduo ...................

................................................................................................ 21. Myrciaria ferruginea

13’. Hipanto não prolongado acima do ovário; frutos com lobos do cálice persistente.

14. Inflorescência com ramificação de apenas dois eixos secundários; brácteas-2;

bractéolas rotundas ............................................................  9. Eugenia punicifolia

14’. Inflorescência com ramificação de mais de dois eixos secundários; brácteas-2 ou

mais; bractéolas elípticas ou lanceoladas.

15. Venação secundária 4–7 pares.

16. Inflorescência com eixo secundário 15–20 mm compr.; ovário 8-costado;

disco estaminal piloso; frutos 8-costados .............. 12. Eugenia uniflora

16’. Inflorescência com eixo secundário 2–7 mm compr.; cálice não segmentado;

disco estaminal glabro; frutos não costados ................. 7. Eugenia hirta

15’. Venação secundária 8 ou mais pares.

17. Folhas com venação secundária 14–16 pares; disco estaminal piloso ....

............................................................................... 4. Eugenia dichroma

17’. Folhas com venação secundária 8–12 pares; disco estaminal glabro.

18. Folhas com venação marginal até 2 mm da borda; bractéolas lineares

19. Folhas até 5 cm larg.; eixo secundário da inflorescência 10 mm

compr.; brácteas elípticas; frutos globoides, lisos; semente

globoide, coloração uniforme .................... 5. Eugenia excelsa

19’. Folhas 5,5–6,5 cm larg..; eixo secundário da inflorescência 1 cm

compr.; brácteas lanceoladas; frutos elipsoides, rugosos;

semente elipsoide, maculada ............... 8. Eugenia aff. prasina

18’. Folhas com venação marginal 3–4 mm da borda; bractéolas

lanceoladas a discóide-lanceoladas.

20. Folhas 5–9,5 cm compr., venação secundária 8 pares; pecíolo

4 mm compr.; frutos subgloboides, lisos; semente imaculada ..

......................................................... 10. Eugenia umbelliflora


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Amorim, B.S

 

& Alves, M.



20’. Folhas 10,5–27 cm compr., venação secundária 10–12 pares; pecíolo 8–11 mm compr.; frutos elipsoides,

verrucosos; semente maculada .................................................................... 11. Eugenia umbrosa

10’. Inflorescência tipo dicásio ou flores solitárias.

21. Folhas com venação secundária de 10–15 pares; flores solitárias ................  22. Psidium guajava

21’. Folhas com venação secundária de 6–8 pares; flores solitárias e/ou dispostas em dicásio.

22. Flores solitárias e/ou inflorescência tipo dicásio; botão floral constricto entre o ovário e o

globo petalífero; disco estaminal glabro; ovário 6–locular; frutos não constrictos; sementes

lisas ........................................................................................................................................

............................................................................................................ 23. Psidium guineense

22’. Inflorescência tipo dicásio; botão floral não constricto; disco estaminal piloso; ovário 8–10-

locular frutos constrictos apicalmente; sementes muricadas .................................................

................................................................................................. 2. Campomanesia dichotoma



Calyptranthes 

Sw., Prodr. 5: 79. 1788.

Arvoretas ou arbustos, ramificações

dicotômicas. Inflorescência tipo panícula, brácteas

em geral decíduas, bractéolas persistentes; cálice

caliptriforme, abertura regular, calíptra apiculada;

hipanto prolongado acima do ovário; estames

aderidos à margem apical do cálice; ovário 2–locular.

Frutos globoides, cálice persistente. Semente

ssubgloboide, coloração uniforme.

Gênero com 250 espécies, 42 delas ocorrem

na Floresta Atlântica, sendo 24 endêmicas (Sobral



et al.

 2009).


1. Calyptranthes dardanoi 

Mattos, Loefgrenia 99:

1. 1990.

Fig. 1a-c

Arvoretas a arbustos ca. 3–5 m alt., ramos

jovens pilosos, tricomas ferrugíneos. Folhas 11,5–

15 × 4,6–6 cm, cartáceas, elípticas, acuminadas,

atenuadas; venação primária sulcada

adaxialmente, secundária 16–18 pares, marginal

a 2 mm da borda foliar; pecíolo 6–10 mm compr.,

piloso. Inflorescência panícula, pilosa, tricomas

ferrugíneos, eixo primário ca. 8,5 cm compr.,

ramificação até terceira ordem; brácteas 3 mm

compr., lanceoladas, pilosas; bractéolas 1 mm

compr., lineares, pilosas; cálice caliptriforme 3 mm

compr., piloso; calíptra 1mm compr., apiculada,

pilosa; hipanto prolongado, 2mm compr.; estames

4mm compr., aderido à margem superior do cálice,

disco estaminal glabro; estilete 8 mm compr.,

glabro. Frutos 0,6 × 0,6 cm, globoides, cálice

persistente, glabro. Semente 1, 0,5 × 0,4 cm, sub-

globoide, lisa, coloração uniforme.



Material examinado

: Mata de Piedade, 20.II.2009, fl., B.S.



Amorim 389a et al. 

(UFP); 15.IX.2009, fr., J.D. Garcia 1173



et al.

 (UFP); 29.I.2010, fl., B.S. Amorim 558 et al. (UFP).



Material adicional

: BRASIL. PERNAMBUCO: Goiana,

28.XII.1965, fl., A. Lima 65-4346 (IPA).

Endêmica da Floresta Atlântica (Sobral et al. 2009)

e conhecida apenas para o estado de Pernambuco

(Govaerts et al. 2010; Sobral et al 2010). Na USJ é uma

espécie rara e ocorre no interior dos fragmentos, em

habitats de terraço e sítio ripário. Diferencia-se por

apresentar ramificações dicotômicas e cálice

caliptriforme, com abertura regular e persistente no fruto.



Campomanesia 

Ruiz & Pav., Fl. peruv. prodr.: 72. 1794.

Arvoretas ou arbustos. Inflorescência tipo

dicásio simples; cálice 5–mero, corola 5–mera;

hipanto prolongado acima do ovário; ovário 8–10

locular. Frutos globoides, cálice persistente.

Sementes reniformes, coloração uniforme, muricadas.

Gênero com 30 espécies, 28 delas ocorrem

na Floresta Atlântica, sendo 19 endêmicas (Sobral

et al.

 2009).


2. Campomanesia dichotoma

 (O. Berg) Mattos,

Loefgrenia 26: 28. 1967.

Fig. 1d


Arvoretas ca. 4–7 m alt., ramos jovens pilosos.

Folhas 7,5–11 × 4–6 cm, cartáceas, elípticas,

acuminadas, atenuadas a levemente oblíqua;

venação primária sulcada adaxialmente, secundária

6–8 pares, marginal a 1 mm da borda foliar; pecíolo

5–10 mm compr., piloso. Inflorescência dicásio, eixo

primário 3 cm compr., eixo secundário 0,8 cm compr.;

bractéolas 2 mm compr., lineares, pilosas; cálice

piloso, lobos de comprimento igual, 3–4 mm compr.,

pilosos; hipanto 1 mm compr.; estames 8 mm compr.,

disco estaminal piloso; estilete 10 mm compr., glabro;

ovário 8–10 locular. Frutos 0,8 × 1,1 cm, globoides,

ápice constricto. Sementes 8–10, 0,5–0,6 × 0,4–0,5 cm,

reniformes, coloração uniforme, muricadas.



Material examinado

: Mata de Piedade, 20.II.2009, fl.,



B.S. Amorim 387 et al.

 (UFP); Mata de Pezinho,

8.III.2009, fr., B.S. Amorim 406 et al. (UFP); 28.IV.2009,

fr., B.S. Amorim 449b et al. (UFP).



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Myrtaceae da Usina São José, PE



Figura 1 – a-c. Calyptranthes dardanoi – a. hábito; b. flor; c. fruto. d. Campomanesia dichotoma – inflorescência com flores

e fruto. e. Eugenia candolleana – inflorescência com botões florais. f. Eugenia dichroma – infrutescência. g. Eugenia

excelsa – infrutescência. h. Eugenia florida – inflorescência. (a B.S. Amorim 430; b B.S. Amorim 389a; c J.D. Garcia 1173;

d B.S. Amorim 449b; e B.S. Amorim 444; f J.A.N. Souza 591; g B.S. Amorim 764 h E. Pessoa 108).

Figure 1 – a-c. Calyptranthes dardanoi – a. habit; b. flower; c. fruit. d. Campomanesia dichotoma – inflorescence with flower and fruit.

e. Eugenia candolleana – inflorescence with flower bud. f. Eugenia dichroma – infructescence. g. Eugenia excelsa – infructescence.

h. Eugenia florida – inflorescence. (a B.S. Amorim 430; b B.S. Amorim 389a; c J.D. Garcia 1173; d B.S. Amorim 449b; e B.S. Amorim

444; f J.A.N. Souza 591; g B.S. Amorim 764 h E. Pessoa 108).



d

c

f

h

g

e

b

a

1 cm


3 mm

1 cm


2,5 mm

1 cm


2 cm

2 mm


2 mm

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Amorim, B.S

 

& Alves, M.



Endêmica da Floresta Atlântica (Sobral et

al.

 2009), conhecida para as Regiões NE e SE do

Brasil (Landrum 1986). Na USJ, é uma espécie

frequente sendo encontrada na borda dos

fragmentos. Diferencia-se pela venação

secundária com 6–8 pares, inflorescência em

dicásio, ovário 8-10 locular e fruto com ápice

constricto com sementes muricadas.



Eugenia 

L., Sp. pl. 1: 470-471. 1753

Arvoretas a arbustos. Inflorescência tipo

racemo, eixo primário desenvolvido ou reduzido;

cálice 4–mero, corola 4–mera; hipanto não

prolongado acima do ovário; ovário 2–locular.

Frutos globoides, subgloboides ou elipsoides, lisos

ou verrucosos, lobos do cálice persistentes.

Semente globoide ou elipsoide, lisa, coloração

uniforme ou maculada.

Gênero com 600 espécies, 241 delas ocorrem

na Floresta Atlântica, sendo 202 endêmicas (Sobral



et al.

 2009).


3. Eugenia candolleana

 DC., Prodr. 3: 281. 1828.

Fig 1e

Arvoretas a arbustos ca. 2–4 m alt., ramos



jovens pilosos. Fohas 4–8 × 2–3,5 cm,

membranáceas, elípticas, acuminadas, atenuadas;

venação primária sulcada adaxialmente, secundária

8–10 pares, marginal a 1 mm da borda; pecíolos

3–5 mm compr., glabros. Inflorescência tipo

racemo, eixo primário 1,5–2,5 cm compr., piloso,

eixo secundário 0,5 cm compr.; brácteas ca.1 mm

compr., lanceoladas, margem e feixe central

pilosos; bractéolas 1 mm compr. lanceoladas,

margem e feixe central pilosos; cálice não

segmentado, base pilosa, lobos de comprimento

desigual, 1 mm e 2 mm compr., pilosos distalmente;

estames 3–5 mm compr., disco estaminal piloso;

estilete 6 mm compr., base pilosa. Frutos 1,4 ×

0,8 cm, subgloboides, lisos, pilosos. Semente 1,

1 × 0,6cm, subgloboide, coloração uniforme.



Material examinado

: Mata de Macacos, 14.III.2009,

fl. e fr., B.S. Amorim 444 et al. (UFP).

Apesar de tratada por Sobral et al. (2009)

como endêmica da Floresta Atlântica, Govaerts et

al.

 (2010) cita a espécie para as Regiões Centro-

Oeste e Norte do Brasil. Na USJ é uma espécie rara,

encontrada no interior dos fragmentos, em habitats

de tabuleiro e terraço. Diferencia-se pela

inflorescência com eixo primário desenvolvido,

disco estaminal piloso, estilete com base pilosa e

fruto subgloboide.



4. Eugenia dichroma 

O. Berg in Mart., Fl. bras.

14(1): 290. 1859.

Fig. 1f


Arvoretas a arbustos 2–5 m alt., ramos jovens

pilosos. Folhas 10–12 × 3–5 cm., cartáceas, elípticas,

acuminadas, cuneadas; venação primária sulcada

adaxialmente, venação secundária 14–16 pares,

venação marginal a 2 mm da borda; pecíolo 5 mm

compr., glabros. Inflorescência tipo racemo, eixo

primário reduzido, eixo secundário 5–8 mm compr.;

bráctea 1 mm compr., lanceolada, glabra; bractéola

2 mm compr., elíptica, margem hialina, glabra; cálice

não segmentado, glabro, lobos de comprimento

igual, 3–4 mm compr., glabros; estames 5 mm compr.,

disco estaminal piloso; estilete 4 mm compr., glabro.

Frutos 1,5–2,5 × 1–1,5 cm, elipsoides, lisos, glabros.

Semente 1, 2–2,5 × 1,5 cm, elipsoide, maculada.



Material examinado

: Mata de Macacos, 3.V.2003, fl.,



A.Oliveira 7 et al

. (PEUFR); Mata de Macacos,

24.III.2011, fl., B.S. Amorim 831 et al. (UFP); Mata de

Piedade, 17.XII.2009, fr., J.A.N. Souza 591 et al. (UFP).

Endêmica da Floresta Atlântica (Sobral et al.

2009) e conhecida para as regiões NE e SE do Brasil

(Govaerts et al. 2010; Proença & Sobral 2006). Na

USJ é uma espécie rara e coletada no interior de

fragmentos, em habitats de tabuleiro e terraço.

Diferencia-se pela inflorescência com eixo primário

reduzido, disco estaminal piloso e fruto elipsoide

com semente maculada.



5. Eugenia excelsa

 O. Berg in Mart., Fl. bras. 14(1):

227. 1857.

Fig. 1g


Arbustos a árvores 3–8 m alt. Folhas 8–13 ×

2,8–5 cm, cartáceas, elípticas, acuminadas,

atenuadas, venação primária plana a saliente

adaxialmente, secundária 8–10 pares, marginal 1mm

da borda; pecíolo 3–4 mm compr., glabro.

Inflorescência tipo racemo, eixo primário reduzido,

secundário 4–10 mm compr., glabro; brácteas 2–

3 mm compr., elípticas, glabras, bractéola 1 mm

compr., linear, glabra; cálice não segmentado, glabro,

lobos de mesmo comprimento 2 mm compr., agudos,

glabros; estames 3 mm compr., disco estaminal

glabro; estilete 4 mm compr., glabro. Frutos 0,6 ×

0,6 cm, globoides, lisos, glabros. Semente 0,6 ×

0,6 cm, globoide, coloração uniforme.



Material examinado

: Mata de Piedade, 16.II.2011, fr.,



B.S. Amorim 764 et al. 

(UFP).


Material adicional

: PERNAMBUCO: Goiana, Ponta

de Pedra, 9.II.1968, fl., A. Lima 60-68 (IPA).

Distribui-se das Guianas até o Brasil

(Govaerts et al. 2010), onde ocorre nas Regiões

Norte, Nordeste, Sudeste e Sul (Sobral et al. 2010).

Na USJ é uma espécie rara e encontrada no interior


Rodriguésia 

62(3): 499-514. 2011

505

Myrtaceae da Usina São José, PE



de fragmentos, em habitats de tabuleiro.

Diferencia-se pelas folhas 8–13 × 2,8–5 cm,

venação primária plano-convexa adaxialmente,

racemo com eixo primário reduzido, brácteas

elípticas, bractéolas lineares, disco estaminal e

estilete glabros e frutos globoides. Exemplares

observados em ambiente de restinga em

Pernambuco apresentam hábito arbustivo e folhas

menores com 4–7,5 × 1,3–3,5 cm.

6. Eugenia florida

 DC., Prodr. 3: 283. 1828.

Fig. 1h

Arvoretas 6 m alt., ramos jovens pilosos.



Folhas 7,5–12 × 2,5–4,5 cm, cartáceas, elípticas,

acuminadas, atenuadas; venação primária sulcada

adaxialmente, secundária 6–8 pares, marginal a

1 mm da borda; pecíolo 4–6 mm compr., glabros.

Inflorescência tipo racemo, eixo primário

desenvolvido, 2,6–4,5 cm compr., piloso, eixo

secundário 0,5–1 cm compr.; brácteas 1–2 mm

compr., lanceoladas, margem hialina, pilosa,

bractéolas 0,5–1 mm compr., discoides, margem

hialina, pilosa; cálice não segmentado, piloso, lobos

de comprimento desigual, 1 mm e 2 mm compr.,

glabros, margem hialina, pilosa; estames 4–5 mm

compr, disco estaminal glabro; estilete 5–6 mm

compr., glabro. Frutos 0,8–1 × 0,8–1 cm, globoides,

lisos, glabros. Semente 1, 1 × 0,8 cm, subgloboide,

coloração uniforme.



Material examinado

: Mata de Piedade, 20.II.2009, fr.,



B.S. Amorim 389b et al.

 (UFP); 21.XI.2009, fl. E. Pessoa



108

 et al. (UFP); 29.01.2010, B.S. Amorim 559 et al. (UFP).

Amplamente distribuída na América tropical

(Govaerts et al. 2010) com ocorrência em todas as

regiões do Brasil (Sobral et al., 2010). Na USJ é

uma espécie ocasional e encontrada na borda e

interior de fragmentos, em habitats de tabuleiro.

Diferencia-se por apresentar inflorescência com

eixo primário desenvolvido, disco estaminal

glabro, estilete glabro e frutos subgloboides.



7. Eugenia hirta

 O. Berg. in Mart., Fl. bras. 14(1):

574. 1859.

Fig. 2a-b

Arbustos ca. 2–4 m alt., ramos jovens pilosos.

Folhas 3–7,7 × 1,5–3,5 cm, membranáceas, ovadas,

agudas, obtusas a truncadas; venação primária

plana a saliente adaxialmente, pilosa, secundária

4–6 pares, marginal a 2 mm da borda; pecíolo 1–3

mm compr., piloso. Inflorescência tipo racemo, eixo

primário reduzido, eixo secundário 7 mm compr.,

piloso; brácteas 1 mm compr., lanceoladas, pilosa;

bractéolas 1 mm compr., lanceoladas, margem

pilosa; cálice não segmentado, piloso, lobos de

comprimento desigual, 3 mm e 2 mm compr., pilosos,

extremidade hialina; estames 2–3 mm, disco

estaminal glabro; estilete 5 mm, glabro. Frutos 0,8 ×

0,8 mm, globoides, lisos, glabros. Semente 1, 0,6–

0,7 × 0,6–0,7 mm, globoide, maculada.

Material examinado

: Mata de Piedade, 26.I.2010, fl. e

fr., B.S. Amorim 525 et al. (UFP).

Endêmica da Floresta Atlântica (Sobral et



al.

 2009), com distribuição conhecida para o NE

e SE do Brasil (Sobral et al. 2010). Na USJ é uma

espécie frequente e coletada no interior de

fragmentos, ocupando o subdossel, em habitats

de tabuleiro. Diferencia-se por apresentar

inflorescência com eixo primário reduzido, disco

estaminal glabro, estilete glabro e fruto globoso

com semente maculada.

8. Eugenia aff. prasina

 O. Berg in Mart., Fl. bras.

14(1): 255. 1857.

Fig 2c


Árvore 8 m alt., ramos jovens pilosos. Folhas

10–14,5 × 5,5–6,5 cm, cartáceas, elípticas a

obovadas, acuminadas, atenuadas, venação

primária sulcada adaxialmente, secundárias 10 pares,

marginal 2 mm da borda; pecíolo 1,3–1,5 cm compr.,

glabro. Inflorescência tipo racemo, eixo primário

reduzido, secundários 1 cm compr.; brácteas 2 mm

compr., lanceoladas, glabras; bractéolas 5 mm

compr., lineares, glabras; cálice glabro, lobos 4–5 mm

compr., elípticos, ápice agudo, glabros; estames não

observados, disco estaminal glabro; estilete não

observado. Fruto 2,5–3,5 × 1,7–2,4 cm, elipsoide,

rugoso, glabro. Semente 2,4–3,3 × 1,6–2,3,

elipsoide, maculada.



Material examinado

: Mata de Cruzinha, 2.XII.2010,

fr., B.S. Amorim 691 et al. (UFP).

Na USJ, é uma espécie muito rara e encontrada

no interior dos fragmentos, em habitats de terraço.

Diferencia-se das demais Eugenia pelas folhas 10–

14,5 × 5,5–6,5, venação primária côncava

adaxialmente, racemo com eixo primário reduzido,

disco estaminal glabro, estilete glabro e fruto

elipsoides, rugosos.



9. Eugenia punicifolia

 (Kunth) DC., Prodr. 3: 267.

1828.

Fig. 2d


Arbustos 1 a 3 m alt., ramos jovens pilosos.

Folhas 3–5,5 × 1–2,5 cm, cartáceas, elíptico-

obovadas, acuminadas, atenuadas; venação

primária sulcada adaxialmente, secundária 8–10

pares, marginal a 3 mm da borda; pecíolo 3–4 mm,

glabros. Inflorescência em racemo, eixo primário

não desenvolvido, eixos secundários 2, 10 mm


506

Rodriguésia 

62(3): 499-514. 2011

Amorim, B.S

 

& Alves, M.



Figura 2 – a-b. Eugenia hirta – a. hábito; b. infrutescência. c. Eugenia aff. prasina – infrutescência. d. Eugenia punicifolia –

infrutescência. e. Eugenia umbelliflora – inflorescência com botões florais. f. Eugenia umbrosa – inflorescência com frutos.

g. Eugenia uniflora – inflorescência com flor e frutos. h-j. Myrcia bergiana – h. inflorescência; i. botão floral; j. fruto. (a B.S.

Amorim 645; b - B.S. Amorim 529; c B.S. Amorim 691 d B.S. Amorim 524; e T.N.F. Guerra 120; f B.S. Amorim 424; g B.S.

Amorim 320; h B.S. Amorim 433; i B.S. Amorim 479; j L.M. Nascimento 681).

Figure 2 – a-b. Eugenia hirta – a. habit.; b. infructescence. c. Eugenia aff. prasina d. Eugenia punicifolia – inflorescence with flower and fruit.

e. Eugenia umbelliflora – inflorescence with flower bud. f. Eugenia umbrosa – infructescence. g. Eugenia uniflora – inflorescence with flower

and fruit. h-j. Myrcia bergiana – h. inflorescence; i. flower bud; j. fruit. (a B.S. Amorim 645; b B.S. Amorim 529; c B.S. Amorim 691 d B.S. Amorim

524; e T.N.F. Guerra 120; f B.S. Amorim 424; g B.S. Amorim 320; h B.S. Amorim 433; i B.S. Amorim 479; j L.M. Nascimento 681).

f

g

2 mm


2 cm

1 cm


0,5 cm

a

c

b

d

e

h

i

j

2 mm


2 mm

1 cm


2,5 mm

1 cm


2,5 mm

Rodriguésia 

62(3): 499-514. 2011

507

Myrtaceae da Usina São José, PE



compr.; brácteas 2, 1 mm compr., lanceoladas,

pilosas; bractéolas 1 mm compr., rotundas,

margem pilosa; cálice não segmentado, glabro,

lobos de comprimento desigual, 2, 2 mm e 2, 1 mm

compr., glabros, extremidade hialina; estames 4–

5 mm compr., disco estaminal com margem pilosa;

estilete 5-6 mm compr., glabro. Frutos 0,9–1,2 ×

0,7–0,9 cm, subgloboides, lisos, glabros. Semente

1, 0,8–1,1 × 0,6–0,8 cm, globoide a elipsoide,

coloração uniforme.



Material examinado

: Mata de Vespas, 12.III.2009, fr.,



B.S. Amorim 423 et al.

 (UFP); 12.I.2010, fl., B.S. Amorim



524 et al.

 (UFP).


Amplamente distribuída, desde Cuba até a

América tropical (Govaerts et al. 2010), ocorrendo

em todas as regiões do Brasil (Sobral et al. 2010).

Na USJ é uma espécie ocasional e encontrada na

borda de fragmentos. Diferencia-se por apresentar

inflorescência com eixo primário não desenvolvido

e apenas dois eixos secundários, bractéolas

rotundas, disco estaminal com margem pilosa,

estilete glabro e fruto globoide a elipsoide.

10. Eugenia umbelliflora 

O. Berg in Mart., Fl. bras.

14(1): 290. 1859.

Fig. 2e


Arvoretas 6m alt., ramos jovens pilosos.

Folhas 5–9,5 × 3–4,5 cm, cartáceas, elípticas,

arredondadas, atenuadas, venação primária plana

a saliente adaxialmente, glabra, secundária 8 pares,

marginal a 3 mm compr. da borda; pecíolo 4 mm

compr., glabro. Inflorescência tipo racemo, eixo

primário reduzido, eixo secundário 2–5 mm compr.;

brácteas 1 mm compr., lanceoladas, glabras,

bractéolas 1 mm compr., lanceoladas, glabras; cálice

não segmentado, glabro, lobos de comprimento

igual, 1 mm compr., margem pilosa; estame 3 mm

compr., disco estaminal glabro; estilete 4–5 mm

compr., glabro. Frutos 0,8 × 1 cm compr.,

subgloboides, lisos, glabros. Semente 1, 0,8 × 0,7

cm, subgloboide, coloração uniforme.

Material examinado

: Mata de Piedade, 20.XII.2007,

fr., D. Araújo 539 et al. (UFP); Mata de Chave, 8.IV.2008,

fl., T.N.F. Guerra 120 et al. (UFP); Mata de Vespas,

12.III.2009, B.S. Amorim 426 et al. (UFP).

Endêmica da Floresta Atlântica (Sobral et al.

2009) e com ocorrência do Nordeste a Santa

Catarina (Govaerts et al. 2010; Proença & Sobral

2006). Na USJ é uma espécie rara e encontrada no

interior de fragmentos, em habitats de tabuleiro.

Diferencia-se por apresentar inflorescência com

eixo primário reduzido, disco estaminal glabro e

frutos subgloboides.

11. Eugenia umbrosa

 O. Berg in Mart., Fl. bras.

14(1): 582. 1859.

Fig. 2f


Arvoretas 3–7 m alt., ramos jovens pilosos.

Folhas 10,5–27 × 5,5–7,5 cm, cartáceas, obovadas,

acuminadas, atenuadas; venação primária plana a

saliente adaxialmente, secundária 10–12 pares,

marginal 3–4 mm da borda foliar; pecíolo 8–11 mm

compr., glabro. Inflorescência tipo racemo, eixo

primário reduzido, eixo secundário 10–13 mm

compr., glabro; brácteas 3–5 mm compr., linear-

lanceoladas, glabras; bractéolas 2 mm compr.,

discoide-lanceoladas; cálice não segmentado, lobos

de comprimento igual, 8–10 mm compr., glabros;

estames 8 mm compr., disco estaminal glabro;

estilete 12 mm compr., glabro. Frutos 3,3 × 2,2 cm,

elipsoides, verrucosos, glabros. Semente 1, 3 × 1,8 cm,

elipsoide, maculada.

Material examinado

: Mata de Vespas, 12.III.2009, fl.

e fr., B.S. Amorim 424 et al. (UFP); Mata de Zambana,

30.VIII.2008, fr., M.A.M. Silva 38 et al. (UFP).

Endêmica da Floresta Atlântica (Sobral et al.

2009) e conhecida para as regiões Nordeste e

Sudeste do Brasil (Govaerts et al. 2010; Proença

& Sobral 2006). Na USJ é uma espécie rara,

encontrada no interior dos fragmentos, em habitats

de tabuleiro, terraço e sítio ripário. Diferencia-se

por apresentar inflorescência com eixo primário

reduzido e frutos elipsoides, verrucosos com

semente elipsoide e maculada.

12. Eugenia uniflora 

L., Sp. pl. 1: 470-471. 1753.

Fig. 2g

Arbustos 2–4 m alt., ramos jovens pilosos.



Folhas 3–5,5 × 1,2–3 cm, membranáceas, elípticas,

acuminadas, atenuadas; venação primária plana a

saliente adaxialmente, secundária 5–7 pares,

marginal 2 mm da borda foliar; pecíolo 2 mm compr.,

glabro. Inflorescência tipo racemo, eixo primario

reduzido, eixo secundário 15–20 mm compr, glabro;

brácteas 2–3 mm compr, elípticas, ápice piloso;

bractéolas 1–2 mm compr., lineares, glabras; cálice

8–segmentado, glabro; lobos de comprimento igual,

2–4 mm compr., glabros; estames 3–4 mm compr.,

disco estaminal piloso; estilete 3–4 mm compr.,

glabro. Frutos 1,8 × 2 cm, subgloboides, 8-costados,

lisos, glabros. Sementes 1–2, 0,8 × 1 cm,

subgloboides, coloração uniforme.



Material examinado

: Mata de Piedade, 26.12.2008, fl.

e fr., B.S. Amorim 320 et al. (UFP).

Material adicional

: PERNAMBUCO: Recife, Dois

Irmãos, 25.VIII.1988,  fl. e fr., V. Ferreira 1 et al. (IPA);

12.IX.1991,  fl. e fr., R. Salgado s/n et al. (IPA 55204).



508

Rodriguésia 

62(3): 499-514. 2011

Amorim, B.S

 

& Alves, M.



Conhecida desde o Nordeste do Brasil ao

sul da América do sul, além de ser amplamente

cultivada pelos frutos comestíveis (Govaerts

et al.

 2010, Proença & Sobral 2006). Na USJ é

uma espécie ocasional, encontrada na borda

dos fragmentos e em ambientes com maior

nível de antropização. Diferencia-se por

apresentar inflorescência com eixo primário

reduzido, cálice 8–costado, disco estaminal piloso

e frutos subgloboides 8–costados com semente

de coloração uniforme.

Myrcia 

DC. ex Guill., Dict. Class. Hist. Nat. 11: 378,

401, 406. 1827.

Árvores ou arvoretas. Inflorescência tipo

panícula; cálice 5–mero, corola 5–mera; hipanto

prolongado acima do ovário; ovário 2–3–locular.

Frutos elipsoides, globoides ou subgloboides, lisos

ou verrucosos, lobos do cálice persistentes.

Sementes subgloboides a elipsóides, coloração

uniforme ou maculadas.

Gênero com 350 espécies, 132 delas ocorrendo

na Floresta Atlântica, sendo 101 endêmicas (Sobral



et al.

 2009).


13. Myrcia bergiana

 O. Berg in Mart., Fl. bras.

14(1): 194. 1857.

Fig. 2h-j

Arvoretas 3–7 m alt., ramos jovens pilosos,

ferrugíneos. Folhas 5–10 × 2,8–4 cm, cartáceas,

elípticas, acuminadas, obtusas; venação primária

plana a saliente adaxialmente, pilosa (ferruginea),

secundária 18 pares, marginal 1–2 mm da borda

foliar; pecíolo 8mm compr., piloso. Inflorescência

tipo panícula, eixo primário 8 cm compr., ramificação

até segunda ordem; brácteas 2 mm compr., lineares,

pilosas; bractéolas 1 mm compr., lanceoladas,

pilosas; cálice piloso, lobos de comprimento igual,

2 mm compr., não imbricados ápice agudo, pilosos;

hipanto 1 mm compr.; estames 3 mm compr., disco

estaminal piloso; estilete 4–5 mm compr., piloso;

ovário 2–locular Frutos 0,7 × 0,7cm, globoides,

lisos, pilosos. Sementes 1–2, 0,5 × 0,5 cm,

subgloboides, coloração uniforme.



Material examinado

: Mata de Macacos, 17.IV.2008,

fr., L.M. Nascimento 681 et al. (UFP); Mata de Pezinho,

8.III.2009, fl., B.S. Amorim 407 et al. (UFP); Mata de

Cruzinha, fl., B.S. Amorim 433 et al. (UFP).

Endêmica da Floresta Atlântica (Sobral et al.

2009) e conhecida para as Regiões Nordeste

(Proença & Sobral 2006) e sudeste do Brasil (Sobral



et al. 

2010). Na USJ é uma espécie rara tendo sido

coletada na borda e interior dos fragmentos, em

habitats de tabuleiro. Diferencia-se pela pilosidade

ferrugínea, lobos do cálice de comprimento igual,

apiculados e frutos globoides.



14. Myrcia guianensis

 (Aubl.) DC., Prodr. 3: 245.

1828.

Fig. 3a-b



Arvoretas a árvores 3–8 m alt., ramos jovens

pilosos. Folhas 3–7,5 × 1,5–3,5 cm, membranáceas,

elípticas, obtusas, agudas a cuneadas; venação

primária plana a saliente adaxialmente, secundária

10–12 pares, marginal 1 mm da borda foliar; pecíolo

3–5 mm compr., piloso. Inflorescência tipo panícula,

eixo primário 10 cm compr., ramificação até segunda

ordem; brácteas 2 mm compr., lanceoladas, pilosas;

bractéolas 1 mm compr., lineares, pilosas; cálice

glabro; lobos de comprimento desigual, 3 maiores,

2 mm compr., 2 menores, 1 mm compr., não

imbricados, ápice rotundo, piloso; hipanto 1 mm

compr.; estames 4 mm compr., disco estaminal

glabro; estilete 5–6 mm compr., glabro; ovário 3–

locular. Frutos 0,6–0,8 × 0,6–1 cm, subgloboides,

lisos, glabros. Sementes 1–3, 0,6 × 0,5 cm,

subgloboides, coloração uniforme.

Material examinado

: Mata de Piedade, 20.II.2009, fl.,



B.S. Amorim 445 et al.

 (UFP); Mata de Pezinho,

8.III.2009, fr., B.S. Amorim 411 et al. (UFP); Mata de

Macacos, 14.III.2009, fr., B.S. Amorim 443 et al. (UFP).

Amplamente distribuída na América do Sul,

desde Trinidad e Tobago até o Paraguai (Govaerts



et al.

 2010) e ocorre em todas as Regiões do Brasil

(Sobral et al. 2010). Na USJ é uma espécie comum

e encontrada na borda e interior de fragmentos,

em habitats de tabuleiro. Diferencia-se por

apresentar cálice com lobos de comprimento

desigual, sendo 3 maiores com 2 mm compr. e 2

menores com 1 mm compr., ápice rotundo; ovário

3–locular e frutos subgloboides.

15. Myrcia racemosa 

(O.Berg) Kiaersk., Enum.

Myrt. bras.: 72. 1893.

Fig. 3c-d

Arvoretas 3–7 m alt., ramos jovens pilosos.

Folhas 6–9 × 3–3,5 cm, cartáceas, elípticas,

acuminadas, atenuadas; venação primária plana a

saliente adaxialmente, secundária 14–16 pares,

marginal 1 mm da borda foliar; pecíolo 5 mm compr.,

glabros. Inflorescência tipo panícula, eixo primário

8 cm compr., ramificação até terceira ordem; brácteas

2 mm compr., lanceoladas, pilosas; bractéolas 1 mm

compr., lanceoladas, pilosas; cálice glabro, lobos

de comprimento igual 2 mm compr., não imbricados,

ápice agudo, glabros; hipanto 1 mm compr.; estame

3 mm compr., disco estaminal glabro; estilete 4 mm

compr., glabro; ovário 2–locular. Frutos 0,6 × 0,6–


Rodriguésia 

62(3): 499-514. 2011

509

Myrtaceae da Usina São José, PE



 Figura 3 – a-b. Myrcia guianensis – a. botão floral; b. fruto. c-d. Myrcia racemosa – c. botão floral; d. fruto. e-f. Myrcia spectabilis –

e. fruto; f. detalhe dos lobos do cálice. g-h. Myrcia splendens – g. folha; h. detalhe da venação primária. i-j. Myrcia sylvatica – i. folha;

j. detalhe da venação primária. k-l. Myrcia tomentosa – k. detalhe dos lobos do cálice; l. fruto. m-o. Myrcia verrucosa – m. botão floral;

n. fruto; o. detalhe dos lobos do cálice. p-q. Myrciaria ferruginea – p. inflorescência com botões florais; q. fruto. r. Psidium guajava –

fruto. s-t. Psidium guineense – s. inflorescência com botões florais e parte de uma flor; t. fruto. (a B.S. Amorim 445; b B.S. Amorim 411;

c D. Cavalcanti 32; d B.S. Amorim 454; e-f J.A.N. Souza 630; g-h B.S. Amorim 388; i-j B.S. Amorim 318; k-l B.S. Amorim 422; m D.R.

Siqueira 120; n-o A.C.B. Lins e Silva 355; p-q B.S. Amorim 438; r B.S. Amorim 499; s B.S. Amorim 421; t B.S. Amorim 494).

Figure 3 – a-b. Myrcia guianensis – a. flower bud; b. fruit. c-d. Myrcia racemosa – c. flower bud; d. fruit. e-f. Myrcia spectabilis – e. fruit; f. calyx

lobe detail. g-h. Myrcia splendens – g. leaf; h. main leaf vein detail. i-j. Myrcia sylvatica – i. leaf; j. main leaf vein detail. k-l. Myrcia tomentosa

– k. calyx lobe detail; l. fruit. m-o. Myrcia verrucosa – m. flower bud; n. fruit; o. calyx lobe detail. p-q. Myrciaria ferruginea – p. inflorescence

with flower bud; q. fruit. r. Psidium guajava – fruit. s-t. Psidium guineense – s. inflorescence with flower bud; t. fruit. (a B.S. Amorim 445; b B.S.

Amorim 411; c D. Cavalcanti 32; d B.S. Amorim 454; e-f J.A.N. Souza 630; g-h B.S. Amorim 388; i-j B.S. Amorim 318; k-l B.S. Amorim 422; m

D.R. Siqueira 120; n-o A.C.B. Lins e Silva 355; p-q B.S. Amorim 438; r B.S. Amorim 499; s B.S. Amorim 421; t B.S. Amorim 494).

2 mm


1 mm

5 mm


5 mm

2 mm


2 mm

2 mm


5 mm

1 cm


5 mm

2 mm


1 cm

2,5 mm


5 mm

2 mm


2 mm

1 cm


2 mm

1 cm


n

p

q

r

s

t

5 mm


i

l

j

m

o

g

f

a

e

k

b

c

h

d

510

Rodriguésia 

62(3): 499-514. 2011

Amorim, B.S

 

& Alves, M.



0,8 cm, globoides a subgloboides, lisos, glabros.

Semente 1–2, 0,5 × 0,6 cm, subgloboides,

coloração uniforme.

Material examinado

: Mata de Pezinho, 28.IV.2009,

fr., B.S. Amorim 454 et al. (UFP); Mata de Piedade,

17.XII.2009, fl., D. Cavalcanti 32 et al. (UFP);

02.III.2010, fr., B.S. Amorim 562 et al. (UFP).

Endêmica da Floresta Atlântica (Sobral et al.

2009), com ocorrência de Pernambuco a Santa

Catarina (Govaerts et al. 2010; Proença & Sobral

2006). Na USJ é uma espécie rara encontrada no

interior de fragmentos, em habitats de tabuleiro e

terraço. Espécie morfologicamente próxima de

Myrcia splendens

, porém diferencia-se por

apresentar cálice com lobos acuminados, disco

estaminal glabro e fruto globoide a sub-globoide.



16. Myrcia spectabilis 

DC., Prodr. 3: 248. 1828.

Fig. 3e-f

Arvoretas 6 m alt, ramos jovens pilosos.

Folhas 12–15 × 3,5–5,5 cm, coriáceas, elípticas,

acuminadas, atenuadas; venação primária sulcada

adaxialmente, secundária 12–16 pares, marginal 3

mm da borda foliar; pecíolo 5 mm compr.

Inflorescência tipo panícula, eixo primário 7 cm

compr., ramificação até terceira ordem; brácteas

decíduas, bractéolas 2 mm compr., lanceoladas,

pilosas; cálice piloso, lobos iguais entre si, 4 mm

compr., imbricados, ápice apiculado, pilosos; hipanto

2 mm compr.; estames 3 mm compr., disco estaminal

piloso; estilete 4–5 mm compr., base pilosa. Frutos

globoides 1 × 1 cm, pilosos, lisos. Semente 1(2), 1 ×

0,8 cm, subgloboides, coloração uniforme.

Material examinado

: Mata de Piedade, 27.I.2010, fr.,



B.S. Amorim 553 et al.

 (UFP); 2.III.2010, fr., J.A.N.



Souza 630 et al.

 (UFP); 9.III.2010, fr., B.S. Amorim



592 et al.

 (UFP).


Endêmica da Floresta Atlântica (Sobral et al.

2009), distribuição do Nordeste ao Sul do Brasil

(Govaerts et al. 2010; Proença & Sobral 2006). Na

USJ é uma espécie rara encontrada no interior dos

fragmentos, em habitats de tabuleiro, terraços e

sítio ripário. Diferencia-se pelo cálice com lobos

de igual tamanho, imbricados e com ápice

apiculado, disco estaminal piloso, estilete com

base pilosa e frutos globoides.

17. Myrcia splendens

 (Sw.) DC., Prodr. 3: 244. 1828.

Fig. 3g-h

Arvoretas 3–7 m alt., ramos jovens pilosos.

Folhas 5–12 × 2–5 cm, cartáceas, elípticas, acuminadas,

atenuadas; venação primária plana a saliente

adaxialmente, pilosa, secundária 12–14 pares, marginal

1 mm da borda foliar; pecíolo 3–5 mm compr., piloso.

Inflorescência em panícula, eixo primário 9 cm

compr., ramificada até a quarta ordem; brácteas 2–

4 mm compr., lanceoladas a romboideas; bractéolas

1–2 mm compr., lineares, pilosa; cálice piloso; lobos

de comprimento igual, 1 mm compr., não imbricados,

ápice rotundo, margem pilosa; hipanto 1 mm compr.;

estames 3–4 mm compr., disco estaminal piloso;

estiletes 5–6 mm, base pilosa; ovário 2–locular.

Frutos 1 × 0,6 cm, elípsoides, pilosos, lisos. Semente

1, 0,7 × 0,5 cm, elipsoide, coloração uniforme.



Material examinado: 

Mata de Piedade, 20.II.2009, fl.,



B.S. Amorim 388 et al.

 (UFP); Mata de Zambana, 13.III.

2009, fr., B.S. Amorim 435 et al. (UFP).

Amplamente distribuída na América do Sul,

desde o México a Argentina, ocorre em todas as

regiões do Brasil (Govaerts et al. 2010; Sobral et al.

2010). Na USJ é uma espécie comum e encontrada

na borda e interior de fragmentos, em habitats de

tabuleiro e sítio ripário. Morfologicamente similar a

Myrcia sylvatica

 da qual diferencia-se pela

venação primária plano-convexa adaxialmente.

18. Myrcia sylvatica

 (G. Mey.) DC., Prodr. 3: 244.

1828.

Fig. 3 i-j



Arvoretas 3–7 m alt., ramos jovens pilosos.

Folhas 4–6 × 1,5–2 cm, cartáceas, ovadas,

acuminadas, cuneadas; venação primária

sulcada adaxialmente, secundária 18 pares,

marginal 0,5 mm da borda foliar; pecíolo 1 mm

compr., glabro. Inflorescência tipo panícula, eixo

primário 3 cm compr., ramificação até terceira

ordem; brácteas 2 mm compr., elípticas, pilosas;

bractéolas 2 mm compr., lineares, pilosas; cálice

piloso, lobos de comprimento igual, não

imbricados, ápice rotundo, pilosos; hipanto 1 mm

compr., piloso; estames 2–3 mm, disco estaminal

piloso; estiletes 3–4 mm, base pilosa; ovário 2–

locular. Frutos 1,1 × 0,5 cm, elipsoides, lisos,

glabros; Semente 1, 0,9 × 0,4 cm, elipsoide,

coloração uniforme.



Material examinado: 

Mata de Pezinho, 28.IV.2009, fr.,



B.S. Amorim 453 et al.

 (UFP); 10.VII.2009, fl., B.S. Amorim



408 et al.

 (UFP); Mata de Zambana, 28.I.2010, fl., B.S.



Amorim 555 et al.

 (UFP).


Amplamente distribuída na América do Sul,

desde a Costa Rica até o Brasil onde ocorre em

todas as Regiões (Govaerts et al. 2010; Sobral et al.

2010). Na USJ é uma espécie comum e encontrada

na borda e interior dos fragmentos, em habitat de

tabuleiro. Espécie morfologicamente semelhante a



Myrcia splendens 

da qual diferencia-se pela

venação primária côncava adaxialmente.


Rodriguésia 

62(3): 499-514. 2011

511

Myrtaceae da Usina São José, PE



19. Myrcia tomentosa

 (Aubl.) DC., Prodr. 3: 245.

1828.

Fig. 3k-l



Arvoretas 5–7 m alt., ramos jovens pilosos.

Folhas 4–8 × 2,5–4,5 cm, cartáceas, elípticas ou

obovadas, apiculadas ou acuminadas, atenuadas,

venação primária sulcada adaxialmente, pilosa,

secundária 6–8 pares, marginal 1–3 mm da borda

foliar; pecíolo 5 mm compr., piloso. Inflorescência

tipo panícula, eixo primário 13 cm compr., ramificação

até terceira ordem; brácteas 3–4 mm compr., elíptico-

lanceolada, pilosa; bractéolas 1 mm compr.,

elípticas, glabras; cálice piloso, lobos de

comprimento desigual, 4 maiores, 2 mm compr., 1

menor, 1 mm compr., não imbricados, ápice agudo,

pilosos; hipanto 1 mm compr.; estames 4 mm compr.,

disco estaminal glabro a piloso; estilete 6 mm

compr., glabro a piloso; ovário 2–locular. Frutos

0,5–0,6 cm, subgloboides, lisos, pilosos. Semente

1–2, 0,4 × 0,3 cm, subgloboides, coloração uniforme.

Material examinado

: Mata de Zambana, 22.XII. 2007, fl.,



A. Alves-Araújo 764 et al.

 (UFP); Mata de Piedade, 11.III.2009,

fr., B.S. Amorim 419 et al. (UFP); Mata de Macacos,

14.III.2009, fr., B.S. Amorim 442 et al. (UFP); Mata de

Zambana, 28.I.2010, fr., B.S. Amorim 556 et al. (UFP).

Amplamente distribuída na América do Sul,

desde Trinidad e Tobago e Panamá até o Brasil

(Govaerts et al. 2010), ocorre em todas as regiões

do Brasil (Sobral et al. 2010). Na USJ é uma espécie

comum e encontrada na borda dos fragmentos.

Diferencia-se por apresentar venação secundária

com 6-8 pares; cálice com lobos desiguais, sendo,

4 maiores com 2 mm compr. e 1 menor com 1 mm

compr., acuminados e frutos subgloboides.



20. Myrcia verrucosa 

Sobral, Bol. Mus. Biol. Mello

Leitão. 20: 77. 2006.

Fig. 3m-o

Arvoretas 5–7 m alt, ramos jovens pilosos.

Folhas 4,5–8 × 2,5–4 cm, cartáceas, elípticas,

apiculadas, atenuada; venação primaria sulcada

adaxialmente, secundária 10–12 pares, marginal a

2 mm da borda foliar; pecíolo 5–8 mm compr., glabros.

Inflorescência tipo panícula, raque glabra, eixo

primário 8 cm compr., secundário (2–3) 2,5–1,5 cm

compr.; brácteas decíduas; bractéolas 0,8–2 mm

compr., lineares, pilosas; cálice piloso, lobos não

diferenciados, não imbricados, ápice falciforme;

hipanto 1 mm compr.; estames 3–4 mm compr., disco

estaminal glabro ; estilete 5 mm compr., glabro;

ovário 2–locular. Frutos 0,8–1 × 0,8–1 cm, globoides,

verrucosos, glabros. Sementes 1–2, 0,8 × 0,7 cm,

subgloboide, maculada.

Material examinado

: Mata de Zambana, 19.VII.2008,

fr., A.C.B. Lins e Silva 355 et al. (UFP).

Material adicional

: PERNAMBUCO: Cabo de Santo

Agostinho, Mata do Zumbí, 1.XI.1995, fl., D.R. Siqueira

120 et al.

 (PEUFR).

Endêmica da Floresta Atlântica e conhecida

até então apenas para o estado do Espírito Santo

(Sobral 2006; Sobral et al. 2010). Na USJ, é uma

espécie muito rara e encontrada no interior dos

fragmentos, em habitats de terraço. Diferencia-se

por apresentar venação primária côncava

adaxialmente; cálice com lobos com ápice falciforme

e frutos subgloboides e verrucosos.



Myrciaria 

O. Berg, Linnaea 27(2-3): 136, 320. 1854.

Arbustos. Inflorescência tipo racemo; cálice

4–mero; corola 4–mera, cálice com lobos de

comprimento igual; hipanto prolongado acima do

ovário; ovário 2–locular. Frutos subgloboides,

cálice decíduo. Semente globoide, maculada.

Gênero com distribuição na América Tropical

(Govaerts et al. 2010), representado por 30 espécies,

15 delas ocorrem na Floresta Atlântica, sendo 10

endêmicas (Sobral et al. 2009).

21. Myrciaria ferruginea

 O. Berg, in Martius, Fl.

bras. 14(1): 597. 1859.

Fig. 3p-q

Arbustos a subarbustos 0,5–2 m alt., ramos

pilosos. Folhas 1,5–3 × 1–1,2 cm, membranáceas,

ovadas, atenuadas, obtusas; venação primária sulcada

adaxialmente, secundária 10–12 pares, 1 mm da margem;

pecíolo 1 mm compr., piloso. Inflorescência tipo

racemo, eixo primário reduzido 0,1 mm compr., eixo

secundário 1 mm compr.; brácteas 2 mm compr.,

elíptico-lineares, margem pilosa; bractéolas 1 mm

compr., rotundas, eixo central e margem pilosos;

cálice glabro, lobos de comprimento igual, 2 mm

compr., pilosos; hipanto 1 mm compr.; estames 5 mm,

disco estaminal piloso; estiletes 6–7 mm compr.,

base pilosa. Frutos 1 × 1,5 cm, subgloboides, cálice

decíduo, glabros. Sementes 1–2, 0,7 × 0,8 cm,

globoide, maculada.

Material examinado

: Mata de Piedade, 20.II.2009, fl.,



B.S. Amorim 390 et al. 

(UFP); 7.III.2009, fl., B.S. Amorim



397 et al. 

(UFP); Mata de Macacos, 14.III.2009, fl. e fr.,



B.S. Amorim 438 et al. 

(UFP).


Endêmica da Floresta Atlântica (Sobral et al.

2009), com ocorrência nas regiões Nordeste e

Sudeste (Proença & Sobral 2006; Sobral et al. 2010).

Na USJ é uma espécie comum e encontrada no

interior de fragmentos, ocupando o subdossel, em

habitats de tabuleiro. Diferencia-se das demais

espécies pela inflorescência com eixo primário

reduzido, o hipanto prolongado acima do ovário e

fruto subgloboide com cálice 4–mero decíduo.


512

Rodriguésia 

62(3): 499-514. 2011

Amorim, B.S

 

& Alves, M.



Psidium 

L.Sp. pl. 1: 470. 1753.

Arvoretas ou arbustos. Inflorescência tipo

dicásio ou flores solitárias; botões florais

fechados, abertura irregular; cálice (4)–5–mero,

corola 5–mera; ovário 6–locular. Frutos globoides,

lobos do cálice persistentes. Sementes reniformes,

lisas, coloração uniforme.

Gênero amplamente distribuído na América

Tropical e sub-tropical (Govaerts et al. 2010) com

100 espécies, 32 delas ocorrendo na Floresta

Atlântica, sendo 12 endêmicas (Sobral et al. 2009).



22. Psidium guajava

 L., Sp. pl. 1: 470. 1753.

Fig. 3r

Arvoretas a arbustos 3–7 m alt., ramos jovens



pilosos. Folhas 5–11,5 × 2,5–5,5 cm, cartáceas,

elípticas, acuminadas, atenuadas, inteiras; venação

primária sulcada adaxialmente, pilosa, secundária

10–15 pares, marginal a 1–2 mm da borda foliar;

pecíolo 3–4 mm compr., piloso. Flores solitárias,

brácteas lineares 3–4 mm compr., pilosas, pedúnculo

ca. 2 cm compr., piloso; botão floral fechado,

abertura irregular, cálice elíptico, constrição entre

ovário e globo petalífero, piloso, lobos 0,6–0,8 cm

compr., pilosos; hipanto alongado, 1 mm compr.;

estame 6 mm compr., disco estaminal glabro; estilete

8 mm compr., glabro; ovário 6 a 8–locular. Frutos 3,5

×

 3 cm, subgloboides, glabros. Sementes numerosas,



0,3 × 0,2 cm, reniformes, coloração uniforme, lisas.

Material examinado:

 Mata de Piedade, 26.XII.2008,

fr., B.S. Amorim 321 et al. (UFP); 11.III.2009, fl., B.S.

Amorim 418 et al.

 (UFP).


Amplamente distribuída e cultivada na

América Tropical e subtropical, introduzida em

vários ambientes (Govaerts et al. 2010). Na USJ é

uma espécie ocasional, encontrada na borda de

fragmentos e em ambientes parcialmente

antropizados. Diferencia-se de P. guineense Sw.

por apresentar venação secundária com 10-15

pares, as flores serem exclusivamente solitárias e

os frutos maiores.

23. Psidium guineense

 Sw., Prodr. 77. 1788.

Fig. 3s-t

Arbustos 1–3 m alt., ramos jovens pilosos.

Folha 7–11 × 4–7 cm, elíptica, apiculada a acuminada,

obtusa; venação primária plana a saliente

adaxialmente, glabra, secundária 6–8 pares,

marginal a 1 mm da borda foliar; pecíolo 5 mm compr.,

piloso. Inflorescência tipo dicásio ou flores

solitárias, eixo primário 1,3–3 cm compr., piloso, eixo

secundário 1,3 cm compr., piloso, brácteas 4–5 mm

compr., lineares, pilosas; botão floral fechado,

abertura irregular, cálice elíptico, constrição entre

ovário e globo petalífero, piloso, lobos 4–5,7 mm

compr., pilosos; corola ca. 1,5 cm compr., pilosa

adaxialmente; hipanto 1 mm compr.; estames 5–

6 mm compr., glabros, disco estaminal glabro; estilete

11 mm compr., glabro; ovário 6-locular. Frutos 2 ×

2 cm, globoides. Sementes numerosas, 0,2–0,3 ×

0,1–0,2 cm, reniformes, coloração uniforme, lisas.



Material examinado:

 Mata de Piedade, 11.III.2009, fl.

e fr., B.S. Amorim 417 et al. (UFP); Mata de Vespas,

12.III.2009, fl. e fr., B.S. Amorim 421 et al. (UFP).

Amplamente distribuída e cultivada desde o

México a Argentina (Govaerts et al. 2010). Na USJ

é uma espécie comum e encontrada na borda de

fragmentos. Diferencia-se de P. guajava L. por

apresentar venação secundária com 6–8 pares, flores

organizadas geralmente em dicásios simples ou

múltiplos e frutos menores.

Agradecimentos

Ao Projeto “Sustentabilidade de

remanescentes de Floresta Atlântica em

Pernambuco e suas implicações para a conservação

e desenvolvimento local” (CNPq-BMBF); à

FACEPE, a bolsa concedida ao primeiro autor, aos

curadores dos herbários visitados, à Regina

Carvalho, ilustradora botânica e à equipe do

Laboratório de Morfo-Taxonomia Vegetal.

Referências

Alves-Araújo, A.; Araújo, D.; Marques, J.; Melo, A.;

Maciel, J.R.; Uirapuã, J.; Pontes, T.; Lucena, M.F.A.;

Bocage, A.L.D & Alves, M. 2008. Diversity of

angiosperms in fragments of Atlantic Forest in the State

of Pernambuco, northeastern Brazil. Bioremediation,

Biodiversity and Bioavailability 2: 14-26.

Alves-Araújo, A. & Alves, M. 2010. Flora da Usina São

José, Igarassú, Pernambuco: Sapotaceae. Rodriguésia

61: 303-318.

Arantes, A.A. & Monteiro, R. 2002. A família Myrtaceae

na Estação Ecológica do Panga, Uberlândia, Minas

Gerais, Brasil. Lundiana 3:111-127.

Barros, R.B. 2005. A família Myrtaceae na Reserva

Biológica Guaribas, Paraíba, Brasil. Monografia de

Graduação. Universidade Federal da Paraíba, João

Pessoa. 65p.

Buril, M.T. & Alves, M. 2011. Flora da Usina São José:

Convolvulaceae. Rodriguésia 62: 93-105.

Govaerts, R.; Sobral, M.; Ashton, P; Barrie, F.; Holst, B.K.;

Landrum, L.L.; Matsumoto, K.; Mazine, F.F.; Lughadha,

E.N.; Proenca, C.; Soares-Silva, L.H.; Wilson, P.G.

& Lucas, E. 2010. World checklist of Myrtaceae.


Rodriguésia 

62(3): 499-514. 2011

513

Myrtaceae da Usina São José, PE



The Board of Trustees of the Royal Botanic Gardens,

Kew. Disponível em




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